Como o discurso seguro de John Textor reconstrói a autoestima e o imaginário do torcedor do Botafogo

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John Textor permite ao Botafogo sonhar com um time altamente competitivo. Foto: Vitor Silva/Botafogo

O discurso imponente no melhor estilo “não podes perder, perder pra ninguém” do sócio majoritário do Botafogo, o milionário estadunidense John Textor, tem algumas mensagens subliminares de empoderamento financeiro que começam a reconstruir a autoestima e mexer com o imaginário até mesmo do mais pessimista torcedor alvinegro.

Ao elaborar um projeto para a contratação do centroavante do Manchester United, Edinson Cavani, de 35 anos, Textor reativa a lembrança do último grande ídolo do time: Loco Abreu. Uruguaio como Cavani, o reforço tinha 33 anos quando desembarcou em General Severiano para encerrar a série de vices contra o arquirrival Flamengo no Campeonato Carioca.

Loco Abreu cobrou aquele pênalti desmoralizante contra o goleiro Bruno na final da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca, decretou a conquista antecipada do Botafogo e impediu o tetra daquele Flamengo do Império do Amor, que tinha Adriano e Vágner Love.

Ao avaliar, também, a possibilidade de contratar Everton Cebolinha, Textor avisa ao alvinegro que é chegado o tempo de voltar a competir com os rivais por reforços badalados. Qual é o único clube brasileiro que foi a Lisboa para sondar a situação do jogador do Benfica? O Flamengo!

Outra prova de empoderamento dada por Textor aos alvinegros é a iminente contratação do técnico português Luís Castro. Uma virtual vitória pessoal do empresário contra outro concorrente pesadíssimo. O Corinthians disputava o ainda treinador do Al-Duhail, do Catar, com o Botafogo, mas, aparentemente, prevaleceu. O acerto com Luís Castro parece encaminhado a fim de que ele assuma o Glorioso. Falta resolver a multa rescisória.

O rompimento do acordo de Luís Castro com o Al-Duhail é, neste momento, o maior desafio  para John Textor depois da assinatura definitiva com o Botafogo. Viabilizar a vinda do profissional para General Severiano pode ser a primeira grande prova de ostentação dos novos tempos. Parafraseando o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a contratação de Luís Castro poder ter o efeito “yes, we can” no imaginário do torcedor.  Resta pagar a multa de 1,2 milhão de euros (R$ 6,8 milhões).

O sonho do alvinegro vai além de ter um Clarence Seedorf, um Salomon Kalou ou Keisuke Honda no elenco. A melhor recordação do apaixonado pelo Glorioso é aquele Botafogo campeão brasileiro em 1995. A torcida quer um Botafogo rico, sim, mas com o espírito daquele time com Wagner; Wilson Goiano, Gonçalves, Wilson Gottardo e André Silva; Jamir, Leandro Ávila, Beto e Sérgio Manoel; Túlio Maravilha e Donizete.

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Marcos Paulo Lima

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