Raphinha balançou a rede na vitória deste domingo contra o Real Madrid. Foto: Josep Lago/AFP
Um dos debates intermináveis no futebol brasileiro diz respeito a poupar ou não jogadores na temporada insana do calendário nacional. Usar sempre o time titular ou recorrer a formações alternativas ou até mesmo reservas? O Barcelona pode servir como parâmetro para essa discussão: como o time de Hansi Flick conseguiu disputar quatro jogos em 12 dias, três deles em altíssimo nível e intensidade, marcar 12 gols e sair vivo em três deles?
Em 30 de maio, o Barcelona fez o certo. Usou a tropa de elite no Estádio Olímpico Montjuic contra a Internazionale pela partida de ida das semifinais da Internazionale. Hansi Flick iniciou a partida contra o adversário italiano com o seguinte time no empate por 3 x 3:
Szczesny;
Koundé, Cubarsi, Iñigo Martínez e Gerard Martín;
Frank de Jong e Pedri;
Lamal, Olmo e Raphinha;
Ferran Torres
Dois dias depois, o técnico alemão Hansi Flick agiu como a maioria dos clubes no Brasil quando se deparam com jogos da Libertadores e do Brasileirão: poupou no duelo com o rebaixado Valladolid pelo Espanhol. Era uma partida importante para manter, à época, a distância de quatro pontos em relação ao Real Madrid. O Barcelona começou o jogo assim:
Ter Stegen;
Fort, Ronald Araújo, Christensen e Gerard Martín;
Pedri e Gavi;
Dani Rodríguez, Fermín López e Ansu Fati;
Pau Vitor
Repararam? Dos 11 titulares diante da Internazionale, apenas dois iniciaram a partida contra o Valladolid: Gerard Martín e Pedri. Deu para o gasto. O Barcelona economizou energia, ganhou três pontos, manteve o Real Madrid sob controle e partiu para o próximo.
Em 6 de maio, o Barcelona viajou a Milão para enfrentar a Internazionale no confronto de volta das semifinais. Obviamente, Hansi Flick usou a cavalaria em um duelo duríssimo no San Siro valendo acesso à final da Champions League. A formação inicial foi a seguinte:
Szczesny;
Eric Garcia, Cubarsi, Iñigo Martínez e Gerard Martín;
Frank de Jong e Pedri;
Lamal, Olmo e Raphinha;
Ferran Torres
O Barcelona perdia por 2 x 0, virou a partida, estava com a classificação na mão até o penúltimo lance do tempo regulamentar, quando Lamal acertou a trave, mas sofreu o empate e teve de encarar uma prorrogação. Tomou o quarto gol e amargou a eliminação.
Quatro dias depois do impacto da derrota em Milão, o elenco foi submetido a outro jogo de muita pressão contra o Real Madrid, no Estádio Olímpico Montjuic, valendo o título de LaLiga. Em caso de derrota para o rival, a vantagem na liderança cairia para um ponto. Poupar contra o Valladolid pesou favoravelmente para escalar força máxima em partidas seguidas contra Internazionale e Real Madrid. O Barcelona fez mais uma partida de alto nível, intensidade e rotação ao triunfar por 4 x 3 jogando assim:
Szczesny;
Eric Garcia, Cubarsi, Iñigo Martínez e Gerard Martín;
Frank de Jong e Pedri;
Lamal, Olmo e Raphinha;
Ferran Torres
Balanço da série: o Barcelona disputou quatro jogos em 12 dias, dois contra a Internazionale, um diante do Real Madrid e um contra o Valladolid. Só dois jogadores participaram de todos: o meia Pedri, de 22 anos, e o lateral-esquerdo Gerard Martín, de 23.
Assim como no Brasil, lá eles poupam também. Olham para a tabela e escolhem jogos para usar titulares, reservas ou formações alternativas. Identificam quem tem fôlego para encarar uma maratona desse nível. Separam o joio do trigo, fortes e fracos fisicamente.
Assim, o Barcelona caminha para terminar a temporada com os títulos da Copa do Rei e do Campeonato Espanhol e a presença nas semifinais da Champions League com uma marca ofensiva incrível: 167 gols em 2024/2025. Portanto, quando alguém se referir ao futebol europeu para argumentar que lá ninguém poupa, lembrai-vos desse recorte do Barcelona.
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