Juninho Pernambucano e Leonardo jogam nos bastidores de PSG e Lyon. Fotos: AFP
Nem só de Neymar, Gabriel Jesus e Philippe Coutinho vive o futebol tupiniquim nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. Há um pouquinho de Brasil, iá, iá, também nos bastidores. Os ex-jogadores Leonardo e Juninho Pernambucano buscam o título atuando fora das quatro linhas como dirigentes dos franceses Paris Saint-Germain e Lyon, respectivamente. Ambos precisaram ter jogo de cintura para sobreviver no cargo e desembarcar em Portugal para os 12 dias que apontarão o campeão desta edição atípica do principal torneio de clubes do mundo.
Diretor de futebol do PSG pela segunda vez, Leonardo precisou colocar em prática a diplomacia e até certo ponto fazer um joguinho político para não deixar o barril de pólvora do badalado clube francês explodir. O campeão da Copa do Mundo de 1994 tem moral com os proprietários do time. Homem de confiança do presidente Nasser al-Khelaifi, conquistou acesso livre ao emir do Catar, Tamim bin Hamad Al-Thani. Ostenta incômodos superpoderes no time de Paris.
O primeiro desafio de Leonardo na volta ao clube foi resolver os perrengues de Neymar. O jogador tentou deixar o clube no início da temporada. Barcelona e Real Madrid surgiram como possíveis destinos do jogador contratado por 222 milhões de euros – o mais caro da história do futebol. O “vai ou fica” desgastou o relacionamento com Neymar pai e Neymar filho.
Mercado à parte, a corda também esticou por conta das críticas de Leonardo à festa de aniversário do craque, em fevereiro, e ao possível veto do dirigente à escalação do jogador contra o Borussia Dortmund, no jogo de ida das oitavas da Champions Legue, quando ele estava recuperado de lesão. Em meio à queda de braço, o jogador participou da partida na Alemanha.
Há relatos de desgastes com outros figurões do elenco, como o zagueiro Thiago Silva, o centroavante uruguaio Cavani e Daniel Alves, que deixou o clube no fim da temporada passada rumo ao São Paulo. Os três casos têm em comum a negativa de Leonardo para renovação dos contratos. Parte do elenco, especificamente os medalhões, considera Leonardo centralizador.
“Olhe para o Neymar. Ele se transferiu ao PSG só por causa do dinheiro. O PSG deu tudo a ele, tudo que ele queria, e agora ele quer sair antes do fim do contrato. Mas agora é tempo para dar de volta, de mostrar alguma gratidão. É uma troca, você vê. Neymar precisa dar tudo que pode no gramado, mostrar total dedicação, responsabilidade e liderança”
Juninho Pernambucano, diretor esportivo do Lyon sobre o craque do PSG
Guerra de vaidades à parte, Leonardo mostra resultados. Fundado em 12 de agosto de 1970, o PSG completa 50 anos nesta quarta-feira contra a Atalanta, pelas quartas de final, com três títulos nesta temporada. Arrematou o Francês, a Copa da França, a Copa da Liga e está a três jogos de conquistar a inédita Liga dos Campeões. Se passar pelo time italiano, o PSG terá pela frente Atlético de Madrid ou Red Bull Leipzig. Depois disso, a sonhada final.
Juninho Pernambucano tem personalidade tão forte quanto a de Leonardo. Certamente isso catapultou o ex-jogador ao cargo de diretor esportivo do Lyon, clube pelo qual empilhou títulos nos tempos de meia. Heptacampeão da Ligue 1, hexa da Supercopa da França e campeão da Copa da França, Juninho teve moral até para contratar Sylvinho, ex-auxiliar de Tite na Seleção Brasileira, para assumir o comando do Lyon. A escolha não deu certo e o indicado foi demitido.
Sob o comando de Sylvinho, o Lyon amargou a pior largada da história do clube em 24 anos no Campeonato Francês. O brasileiro escalou o time em 11 partidas. Venceu três, empatou quatro e perdeu outras quatro. Com nove pontos em 33 disputados, igualou o desastroso início da temporada 1995/1996. Quando saiu, Sylvinho deixou o time em 14° lugar no Francês.
Sob pressão, Juninho parece ter dado o tiro certo ao apontar Rudi Garcia para a sucessão de Sylvinho. O francês campeão nacional à frente do Lille em 2010/2011 e vice da Liga Europa pelo Olympique de Marselha na temporada 2017/2018 colocou o Lyon nos trilhos. O time concluiu a Ligue 1 em sétimo lugar. Decidiu a Copa da Liga contra o PSG e perdeu nos pênaltis. Avançou na fase de grupos da Champions League e despachou a Juventus nas oitavas de final. Ganhou o direito de bater de frente com o Manchester City de Pep Guardiola nas quartas.
Outra sacada de Juninho Pernambucano foi a contratação Bruno Guimarães. Símbolo do Athletico-PR nos títulos da Copa Sul-Americana 2018 e da Copa do Brasil 2019, o volante de 22 anos ocupou espaço na prancheta de Rudi Garcia como se fosse veterano. O jogador foi um dos responsáveis por controlar Cristiano Ronaldo e companhia em Lyon e em Turim.
“Não entendo por que Jean-Michel Aulas (presidente do Lyon) fala tanto sobre o PSG, e Juninho agora fala sobre o Paris e Neymar. Deveria falar sobre o clube dele. Não estamos falando sobre a situação do Lyon e peço ao Lyon para não falar sobre nosso jogador ou nosso clube”
Leonardo, diretor de futebol do PSG, em resposta a Juninho Pernambucano
Leonardo e Juninho Pernambucano têm muito mais do que a personalidade forte, as polêmicas e a competência em comum. Ambos são vaidosos e externaram essa característica em um bate-boca sobre Neymar. Juninho, do Lyon, criticou o brasileiro do PSG antes da decisão da Copa da Liga Francesa. “Olhe para o Neymar. Ele se transferiu ao PSG só por causa do dinheiro. O PSG deu tudo a ele, tudo que ele queria, e agora ele quer sair antes do fim do contrato. Mas agora é tempo para dar de volta, de mostrar alguma gratidão. É uma troca, você vê. Neymar precisa dar tudo que pode no gramado, mostrar total dedicação, responsabilidade e liderança”, declarou.
O diretor de futebol do PSG contra-atacou em defesa de Neymar: “Não entendo por que Jean-Michel Aulas (presidente do Lyon) fala tanto sobre o PSG, e Juninho agora fala sobre o Paris e Neymar. Deveria falar sobre o clube dele. Não estamos falando sobre a situação do Lyon e peço ao Lyon para não falar sobre nosso jogador ou nosso clube”, disse Leonardo.
Tretas à parte, Leonardo e Juninho Pernambucano podem fazer história. O PSG só esteve uma vez nas semifinais da Liga dos Campeões. Faz 15 anos. Ricardo Gomes e Raí jogavam no time eliminado pelo Milan na temporada 1994/1995. O time italiano avançou à final contra o campeão Ajax. O Lyon esteve entre os quatro melhores na temporada 2009/2010, mas não suportou o Bayern de Munique. O clube alemão goleou por 4 x 0 no placar agregado.
Uma obsessão move os dirigentes dos dois clubes: igualar o feito do único time francês campeão da Champions League: o Olympique de Marselha na temporada 1992/1993. Faz 27 anos!
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