Ricardo Goulart é mais um a voltar da China com status de protagonista. Foto: Ivan Storti/Santos
Havia uma elite na Superliga Chinesa liderada por contratações caríssimas e salários altíssimos de jogadores brasileiros. O estouro da bolha financeira dos clubes do país asiático, o arrocho salarial e a pandemia mudaram esse cenário. Transformaram o velho predador em principal fornecedor de reforços badalados no futebol tupiniquim.
Eles cada vez mais arrumam as malas e voltam aos times do país. Hulk virou o cara do Atlético-MG. Renato Augusto e Roger Guedes são referências do Corinthians. Miranda assumiu o papel de xerife da defesa do São Paulo. Oficializado pelo Santos, Ricardo Goulart herda a mítica camisa 10 do Rei Pelé.
Há seis anos, Goulart era artilheiro da Superliga Chinesa pelo Guahgzhou Evergrande. O jogador estava emprestado ao Hebei China Fortune. Ricardo Goulart não é o primeiro nem será o último integrante da velha elite de jogadores brasileiros do futebol chinês a retornar ao país. Protagonista do Triplete do Galo ao conquistar o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o Mineiro, Hulk encerrou 2021 como artilheiro do Brasil. Marcou 36 gols e desbancou um astro mais jovem do que ele — Gabriel Barbosa.
O Corinthians aproveitou o enfraquecimento do futebol chinês para trazer de volta ao clube três “ex-chineses”: Roger Guedes (Shandong Taishan) e Renato Augusto (Beijing Guoan). Paulinho estava no Guangzhou Evergrande antes de deixar o Al-Ahli e acertar a volta ao Timão.
O São Paulo apostou na volta do zagueiro Miranda. O beque atuava no Jiangsu Suning, ficou disponível no mercado e aceitou o convite para voltar a vestir a camisa tricolor. A readaptação ao futebol brasileiro foi difícil na temporada passada, mas o beque tem tudo para voltar a jogar em altíssimo nível nesta temporada pelo clube paulista. O atacante Éder, de 35 anos, também não correspondeu na temporada anterior com a camisa do São Paulo.
Há retornos de sucesso como o de Hulk, mas também frustrações. Alexandre Pato, Hernanes, Ramires e Diego Tardelli, por exemplo, retornaram ao país para defender São Paulo, Palmeiras e Atlético-MG, respectivamente. Todos decepcionaram. Jô e Gil tentam voltar aos bons tempos no Corinthians. Pato foi parar nos Estados Unidos. Jadson acertou com o Vitória.
Alguns retornos não dão certo por vários motivos. Um deles é a falta de competitividade na China e em mercados periféricos da Ásia. As cobranças por profissionalismo nesses países são bem menores. Voltar a jogar no limite da capacidade física e técnica não é tão simples, principalmente quando o retorno é ao futebol brasileiro. O próprio Ricardo Goulart veio para o Palmeiras e rapidamente voltou ao mercado chinês. Dois anos depois, é o camisa 10 do Santos.
Além do calendário do futebol brasileiro ser pesadíssimo, a idade dos repatriados da China faz diferença. A maioria retorna ao país acima dos 30 anos. Alguns deles acima dos 35. São os casos específicos de Hulk (35), Éder (35), Hernandes (36) e Miranda (37).
Parece questão de tempo para que outros brasileiros da velha e da nova elite do futebol brasileiro embarquem de volta rumo ao Brasil. Em tempo de caça a centroavantes no país, há opções na China, como Henrique Dourado (Henan Songshan Longmen), Alan Kardec (Shenzhen) e Oscar (Shangai Port) — maior contratação da história do futebol chinês. O meia custou 60 milhões de euros ao Shangai SIGP em 2016/2017. Maior artilheiro da história da Superliga Chinesa (107 gols), Elkeson, ex-Guangzhou Evergrande, é cobiçado pelo Botafogo.
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