Rogério Ceni completa 48 anos nesta sexta: vitória foi presente antecipado. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
Aniversariante do dia, Rogério Ceni se deu de presente uma vitória contra o Palmeiras com assinatura própria. Ao que parece, o técnico de 48 anos começou a entender que aquele papo de restaurar o backup da versão 2019 do Flamengo demanda mais tempo de trabalho. Entendeu que o atual campeão brasileiro necessita de planos emergenciais. Uma delas foi apresentada na vitória desta quinta-feira por 2 x 0, no Mané Garrincha, em Brasília.
Para mim, Rogério Ceni usou linha de três na defesa. Não aquela do tricampeonato brasileiro do São Paulo, em 2006, 2007 e 2008, quando era goleiro sob a batuta de Muricy Ramalho, com três beques de origem. Agora treinador, ele recorreu a improvisos ensaiados, com Willian Arão, Isla e Filipe Luís alternando momentos de zagueiro na capital do país.
Quando tinha a bola, o Flamengo parecia posicionado no sistema 3-4-2-1/3-4-3. O volante Willian Arão no papel de zagueiro pela direita, Rodrigo Caio — que começou como volante no São Paulo, mas virou zagueiro, centralizado; e Filipe Luís compondo o trio na esquerda. Quando Filipe avançava, Isla assumia o papel de terceiro zagueiro. Novidade nenhuma para o estrangeiro. O Chile das eras Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli fazia muito isso. Isla conhece a dinâmica. Entendo que Rogério Ceni queria mais qualidade na saída de bola da zaga para o meio de campo. Arão, Rodrigo Caio e Filipe Luís dão essa mínima garantia.
Ceni conseguiu. Quando se posicionava com linha de três, Isla e Bruno Henrique abriam nas pontas e davam amplitude ao time como se fossem alas. Gerson e Diego davam continuidade à saída de bola da zaga com Everton Ribeiro e Arrascaeta atrás de Gabriel Barbosa. O uruguaio apareceu mais de uma vez na área para finalizar. Numa delas, furou, mas a defesa do Palmeiras fez lambança coletiva e foi buscar a bola dentro da própria rede.
Quando Isla ficava para compor a linha de três, Everton Ribeiro e Filipe Luís abriam mostrando outra variação, com Gabriel Barbosa, Arrascaeta e Bruno Henrique mais avançados. Sem a bola, o Flamengo se fechava com linha de quatro. Não sofreu gol pelo segundo jogo consecutivo.
É preciso ponderar que tudo isso poderia ter dado errado se Willian “Bigode” não tivesse desperdiçado oportunidade incrível no início da partida. Aquele ataque pegou a retaguarda do Flamengo desarrumada. Se ele marca, a dinâmica do jogo seria outra.
Rogério Ceni não reinventou a roda. Mostra apenas que é estudioso. Antenado com perfis modernos de comandar um time. A proposta contra o Palmeiras lembra conceitos do Chelsea e até mesmo da Itália de Antonio Conte. Lembra ideia de Pep Guardiola no Barcelona, quando recuou o volante Mascherano para a defesa ao lado de Piqué. Os versáteis Puyol e Adriano volta e meia fazia o papel de terceiro beque pela esquerda para o time catalão explorar o potencial ofensivo do lateral-direito Daniel Alves. Poderíamos citar outros casos em que a proposta não apenas funcionou, mas virou tendência. Alguém pode citar o recuo de Felipe Melo para a zaga do Palmeiras na era Luxemburgo, mas ali a linha defensiva era com quatro.
O time da vitória sobre o Palmeiras tem pouco de “jesuísmo”. É “cenismo” na veia. Eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores e pressionado no Brasileirão, Rogério Ceni decidiu arriscar uma arrancada para o título com estilo próprio. Porém, o sistema adotado contra o Palmeiras exige repetição. Rodrigo Caio saiu lesionado no primeiro tempo. Gustavo Henrique entrou bem no jogo. Achei que cometeu apenas um erro, mas logo consertou a falha. Bruno Henrique está suspenso para o duelo com o Athletico-PR, na Arena da Baixada, em Curitiba. Na sequência, mas um jogo fora de casa contra o Sport, na Ilha do Retiro, no Recife.
O Flamengo voltou a depender de si para conquistar o bicampeonato brasileiro que não vem desde a era Zico, na série de 1982 e 1983. Se vencer os últimos oito jogos será campeão. Mas há confrontos diretos pela frente com Grêmio, Internacional (penúltima rodada) e São Paulo (último jogo). Ironicamente, os maiores pecados do Flamengo neste Campeonato Brasileiro foram cometidos quando o time só dependia de si.
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