Como a ingenuidade de Filipe Luís virou arma contra o Flamengo

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As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto, considero o comandante do Flamengo ingênuo algumas vezes nesse início de carreira como técnico.

Uma declaração dada por ele depois da classificação nos pênaltis contra o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores do ano passado  indicou aos adversários uma maneira de deixar o time rubro-negro desconfortável dentro das quatro linhas.

“A verdade é que as equipes argentinas são muito competitivas. E o que mais me surpreende é o quanto eles conseguem cobrir de campo, com sacrifício. Às vezes, em inferioridade numérica, um atacante marcando dois, três jogadores, e isso faz com que seja complicado”, analisou em 25 de setembro do ano passado referindo-se ao Estudiantes, de Eduardo Dominguez, alvo do Atletico-MG,  ao avançar às semifinais.

Foi exatamente o que fez o Corinthians na vitória por 2 x 0 na Supercopa Rei do Brasil. Dorival Júnior programou o Timão para cobrir a maior parte de campo possível e não dar espaço ao Flamengo. Foi o que também fez o técnico Mauricio Pellegrino na vitória do Lanús por 1 x 0 nessa quinta-feira nomEsyadio La Fortaleza.

Bem distribuído no tabuleiro, o Lanús induziu o Flamengo aos erros. Sem espaço, o time carioca ostentou 65% de posse de bola, mas errava passes, não conseguia conexões, frustrava-se e entregava o que os anfitriões desejavam: transições, contra-ataques e espaço para alçar a bola na área em busca do centroavante Rodrigo Castillo.

A estratégia deu certo três vezes. A referência do ataque estava em condição ilegal nos dois lances corretamente anulados. Na terceira, não. Infiltrado entre os zagueiros Léo Ortiz e Leo Pereira, o atacante finalizou com perfeição, sem dar chance ao goleiro Rossi. Marcado a distância por Varela, Marcich colocou a bola na cabeça dele de pé esquerdo como se estivesse cruzando com a mão.

Obediente à necessidade de cobrir a maior parte do campo possível, o Lanús limitou o Flamengo a ter o controle da partida longe da frente da área. Prova disso é uma mísera finalização rubro-negra. A posse de bola do Flamengo foi estéril.

Os meias Arrascaeta e Carrascal não davam profundidade no papel de falso nove. Luiz Araújo e Everton Cebolinha lidavam com marcações dobradas em cima deles. Perdiam todas as disputas em velocidade e não conseguiam usar o drible para quebrar as linhas.

Filipe Luís deu armas para os inimigos e perdeu o jogo por falar demais em momentos que demandam silêncio. Lembro-me do Tite quando era o técnico da Seleção. Ele quase sempre reclamava dos adversários posicionados em linha de cinco defensores. Bingo! O Brasil tenta até hoje aprender a lidar com sistemas defensivos sólidos, que não dão um palmo de espaço. Assim como Tite, Filipe Luís reclama de times com linhas de três ou cinco. Fica incomodado.

Foi assim na Argentina e será também no Brasil. Filipe Luís tem uma semana para estancar a quantidade de gols sofridos pelo Flamengo nesse início de temporada. Dos nove jogos em 2026 com o elenco profissional, o Flamengo só não foi vazado pelo Vasco na vitória por 1 x 0.

O outro desafio é devolver o poder de fogo ao ataque. O time campeão da Libertadores só fez mais de dois gols em 2026na goleada por 7 x 1 contra o Sampaio Corrêa. O Lanús não venderá fácil o resultado. É preciso descobrir atalhos para infiltrar na defesa de Mauricio Pellegrino. Do contrário, Filipe Luís amargará a segunda perda de título em um mês depois de um começo de carreira brilhante.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Análise tática corinthians Dorival Júnior Estudiantes Filipe Luis Flamengo Futebol brasileiro Lanús Libertadores Mauricio Pellegrino Supercopa do Brasil Tite

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