Carlo Ancelotti enquadraria Neymar na Seleção Brasileira como fez com Rodrygo no Real Madrid?

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Um dos alvos da CBF para a sucessão de Tite na Seleção Brasileira, o técnico italiano Carlo Ancelotti chamou a atenção nesta semana por um comportamento até certo ponto fora da caixinha na vitória do Real Madrid contra o Villarreal pela Copa do Rei da Espanha. O treinador enquadrou o jovem atacante brasileiro Rodrygo por não tê-lo cumprimentado ao ser substituído e certamente ganhou alguns pontos com o presidente Ednaldo Rodrigues. Um dos pré-requisitos do recrutador é um treinador de respeito, como disse na entrevista ao ge.com.

Rodrygo é um jovem atacante de 22 anos. Jogador para pelo menos mais três Copas do Mundo. Terá 26 em 2026, 30 em 2030 e 34 em 2034. Lionel Messi acaba de ser campeão com 35. Portanto, o ex-menino da Vila ainda tem muito a aprender. A justificativa de um membro do staff dele ao blog para não ter saudado Carlo Ancelotti ao deixar o campo é um aborrecimento com o próprio desempenho na vitória por 3 x 2 contra o Villarreal — e não por ter cedido a vaga a Ceballos ou alguma indignação com o técnico. Rodrygo ainda está comovido. Lambe as feridas do pênalti desperdiçado contra a Croácia no mês passado na eliminação do Brasil da Copa do Mundo. Ele foi o primeiro a bater.

“A mudança de Rodrygo é porque ele estava um pouco cansado e eu preferi não arriscar. Ele não me cumprimentou porque acho que esqueceu, não vejo nenhum motivo. Disse a ele para não esquecer mais de cumprimentar quando for substituído”, explicou Ancelotti depois da partida.

O comportamento de Ancelotti com Rodrygo à beira do campo desperta no mínimo uma curiosidade. Imaginemos que o italiano aceite assumir a Seleção Brasileira. Como o italiano reagiria se Neymar, a principal estrela da companhia, fizesse caras e bocas ao ser substituído?

Há um depoimento importante sobre isso de um astro do quilate de Neymar em um livro sobre Carlo Ancelotti. O sueco Zlatan Ibrahimovic relata uma cena de “piti” de Carlo Ancelotti no intervalo de uma partida contra o Evian pelo Campeonato Francês. Estava frio, o gramado ruim e o PSG jogava mal. O combo perfeito para o comandante chutar o balde, ou melhor uma caixa.

“No intervalo você sempre sabe quando alguma coisa está errada porque aquela sobrancelha dele fica levantada. Enquanto me sentava, pensei. ‘Agora ele está nervoso’. Carlos estava falando com a gente e havia uma caixa na sua frente e, do nada, ele a chutou e ela voou até atingir a minha cabeça. Pensei: ‘Jesus, ele realmente está nervoso’. Nunca o tinha visto daquele jeito. Quando ele fica bravo, fica bravo, mesmo”, testemunha Ibrahimovic.

O centroavante sueco resume o estilo de liderança de Carlo Ancelotti e indica o que realmente o aborrece na relação com o vestiário. “Para ele, o que importa é o respeito. Ele o respeita e espera o mesmo. Se você não o respeita, então temos um problema, mas a verdade é que não se consegue deixar de sentir grande respeito por ele, isso é impossível. Em todos os times em que atuei, vi jogadores que não eram titulares ficarem irritados com o treinador, mas com o Carlo isso não acontecia. E se alguém chegasse perto disso, eu dizia: ‘Acredite em mim, você tem um treinador que quer apenas o melhor para você, ainda que não jogue tanto quanto gostaria. Ele se preocupa com você e vai perceber a diferença quando tiver outro técnico”.

Portanto, o relato de Ibra responde à pergunta do título deste post. O respeito é o limite imposto pelo relacionamento com Ancelotti. Na interpretação do técnico do Real Madrid, Rodrygo o desrespeitou ao não cumprimenta-lo na saída de campo. A reação seria a mesma seja com Ibrahimovic ou Neymar. Ibrahimovic acrescenta:

“Carlo não tem receio de falar com pessoas em frente de todo o grupo. Houve inúmeras situações em que me criticou na frente de todos. Fazia questão de criticar as estrelas do time — os pilares da equipe — para mostrar que ninguém era tão importante a ponto de estar isento de críticas. Um exemplo de que se é um grande jogador é ser capaz de aceitar isso. Os jogadores comuns sentem que precisam se defender — não possuem ainda confiança para assumir suas falhas. Mas se veem os pilares da equipe aceitando seus erros, tornam-se mais aptos a fazer a mesma coisa, e essa é a única maneira de aprender”.

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Marcos Paulo Lima

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