O Gama do atacante Nunes tem média de 3,9 gols por jogo. Foto: Gabriel L. Mesquita/Ascom S.E Gama
Tenho defendido aqui mais de uma vez a reinvenção do Candangão. Sendo curto e grosso: não dá mais para ser disputado por 12 clubes. Para se ter uma ideia do absurdo que é isso aqui, o campeonato da capital do país, que, hoje, só tem nível para participar da quarta e última divisão do futebol brasileiro, é disputado pela mesma quantidade de times do Carioca, do Gaúcho, do Mineiro e do vizinho Goiano, e com quatro a menos que os 16 do Paulistão.
Hoje, trago mais um dado para comprovar o baixíssimo nível do Candangão. A primeira fase teve 65 jogos até a paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus. Do total, 18 tiveram goleadas. Considero goleada a partir de três gols de diferença. Na prática, isso significa que 27,6% das partidas terminaram com resultados de dar inveja a alguns torneios de várzea, como a goleada do Brasiliense por 8 x 0 — isso mesmo, 8 x 0 — sobre o Ceilandense e o Paranoá. O atual vice-campeão do DF marcou 16 gols em duas partidas. E teve gente que não gostou quando comparei o Candangão às eliminatórias da Oceania para a Copa do Mundo.
Vou tentar ser menos radical. Se você discorda que diferença de três gols é goleada, consideremos quatro então. Neste caso, 13 jogos tiveram resultados assim, 20%. Ainda assim é uma taxa elevadíssima. Cada rodada do Candangão tem seis jogos. Imagina duas inteirinhas — de um total de 11 — com placares de quatro gols de diferença. Se isso não é absurdo…
Com um pouquinho de boa vontade da minha parte, o Distrito Federal tem quatro equipes minimamente organizadas: Gama, Brasiliense, Real e Capital. E olhe lá. O desnível técnico quando eles enfrentam os outros oito é assustador. Oito times deveriam disputar o Candangão, mas os dirigentes do futebol candango perderam a noção em 2011.
Goleadas em série no Candangão 2020
Até aquele ano, o campeonato era disputado exatamente por oito times. Em nome da política de boa vizinhança, resolveram virar a mesa. Brazlândia, Sobradinho, Luziânia e Legião subiram na segunda divisão de 2011. A partir de 2012, o número de participantes subiu para 12. E assim ficou até hoje. O resultado da involução está exposto nos rankings e torneios da CBF.
Os times da capital se iludem no Candangão e passam vergonha no cenário nacional. O DF não vai além da primeira fase da Copa do Brasil desde 2016. Não figura na Série C desde 2014. Quando Gama e Brasiliense batem de frente com equipes minimamente mais organizadas do que os bambalas e arimateias que vemos por aqui, o resultado é o de sempre: eliminações.
O melhor time do DF no ranking da CBF é o Brasiliense: 94º lugar. A seguir, aparecem Ceilândia (97º), Sobradinho (140º), Luziânia (148º), Gama (160º) e Brasília (208º). Na lista das 27 federações, a do Distrito Federal ocupa a 21ª posição. Pior da história. Supera apenas Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Tocantins, Rondônia, Amapá e Roraima.
É óbvio que a redução do número de participantes do Candangão de 12 para 8 não resolverá todos os problemas. É preciso entender que, às vezes, times precisam se fundir para serem grandes juntos. A profissionalização é necessária para a conquista de políticas públicas e/ou privadas de investimento. Vai muito além do que reclamar que o GDF não dá apoio.
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