Camarões pode ganhar primeiro título após era Eto’o

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Finalista da Copa Africana de Nações neste domingo, contra o Egito, a seleção de Camarões pode dar uma prova de renovação e de força dois anos depois de se despedir do seu maior artilheiro. Se derrotar os Faraós em Libreville, no Gabão, os Leões Indomáveis conquistarão o primeiro título depois da aposentadoria de Samuel Eto’o. Autor de 56 gols, o atacante disputou a última partida por Camarões aqui no Brasil, nas Arena das Dunas, em 13 de junho de 2014, na vitória por 1 x 0 sobre o México na fase de grupos.

Para vocë ter uma ideia da importânccia que Eto’o tinha para a seleção de seu país, Camarões contabiliza cinco títulos: duas na era Roger Milla — a Copa Africana em 1984 e 1988 — e três no período de Eto’o: Copa Africana em 2000 e em 2002 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000. Sem contar o vice na Copa das Confederações de 2003. Portanto, o período de Eto’o é o mais vitorioso da história de Camarões. Eto’o participou de seis edições da Copa Africana, foi duas vezes artilheiro isolado (2006 e 2008), é o maior goleador da história do torneio com 18 bolas na rede, ganhou o prêmio de melhor jogador da áfrica (2003, 2004, 2005 e 2010) e eleito número 3 do mundo em 2005 pela Fifa.

Sem Eto’o e outros jogadores como Geremi, Song, Lauren, Webo e Songo’o, Camarões aprendeu a ser solidário. A não ser dependente de um centroavante. O camisa 9 na Copa Africana de Nações é Jacques Zoua, reserva do Kaiserslautern, time da segunda divisão do Campeonato Alemão. Em 20 partidas, ele não fez gol com a camisa de Camarões. Michael Ngadeu-Nigadjui, Christian Bassogog, Benjamin Moukandjo e Sébastien Siani são os autores dos gols camaroneses.

A formação de Camarões na vitória por 2 x 0 sobre Gana nas semifinais da CAN 2017: 4-2-3-1

Camarões aprendeu a jogar apenas com quem está a fim. Estrelas como Matip (Liverpool), Choupo-Moting (Schalke 04) e Nyom (West Brom) deram de ombros para a convocação do técnico belga Hugo Broos. Nem por isso, os leões deixaram de ser indomáveis. Renovado, o grupo finalista no Gabão tem apenas um jogador com 30 anos — Sebastien Sani, do Oostende, da Bélgica. Todos os demais estão abaixo dessa idade. Aliás, a média é de 25,5 anos.

Embora seja uma seleção jovem, Camarões sabe sofrer. Na estreia, empatou com Burkina Faso, por 1 x 1. Na sequência, venceu o adversário mais fraco do Grupo A, Guiné-Bissau, por 2 x 1. E arrancou o empate com o Gabão, suficiente para avançar às quartas de final. No mata-mata, nada de intimidação. Camarões despachou Senegal nos pênaltis e Gana no tempo normal, por 2 x 0, numa baita prova de amadurecimento e superação.

Neste domingo, os maiores adversários de Camarões vão ser a eterna insatisfação com as premiações e um complexo do adversário na final. Em 1986, o Egito venceu Camarões e impediu o título. Em 2008, os Faraós derrotaram Camarões por 1 x 0. Em nome do legado de Eto’o, que venha o pentacampeonato africano.

Marcos Paulo Lima

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