Credito: Kleber Sales/Correio Braziliense
Um evitou que Edson Arantes do Nascimento perdesse a majestade no duelo contra a Seleção de Brasília. O outro quase teve um dia de cinderelo depois de peitar o melhor jogador de todos os tempos dentro das quatro linhas. Personagens das duas vezes em que Pelé transformou a capital da república em império e reinou nos gramados da sessentona Brasília, os ex-zagueiros Pedro Pradera e Melo, o Melão, não se esquecem dos duelos históricos contra o rei do futebol. O blog Drible de Corpo publica novamente a entrevista de ambos sobre os duelos com o Rei publicadas por mim no Especial Pelé 70 anos do Correio Braziliense, em 2010.
A primeira exibição do Rei Pelé em Brasília rolou em 25 de maio de 1967, no demolido Estádio Municipal de Brasília, o Pelezão, que ficava ao lado do Carrefour e foi demolido para a construção de condomínios residenciais. Capitão da Seleção de Brasília, Melo tirou cara ou coroa com a lenda. Posou para fotos e, quando a bola rolou, quase virou piada. “Lembro-me que o Pelé tentou colocar a bola entre as minhas pernas para fazer graça com a torcida, mas eu me recuperei a tempo. Gesticulei com ele e ouvi: ‘Você abriu as canetas, pô’”, lembra o militar aposentado Moacir Tremendani dos Santos, o Melo, apelido de família.
Além de zagueiro central, Melo fez o papel de pacificador. “Durante o jogo, o Pelé veio reclamar comigo que o Luís estava entrando demais de carrinho. Ele veio em minha direção e falou: ‘avisa para o teu colega que se ele continuar entrando de carrinho em mim, vou cair por cima dele de cotovelo’”, recorda. Para evitar briga, Melo deu o recado. “O Luís virou pra mim e disse: ‘Pô, Melo, eu só estou jogando a minha bola”, diverte-se. “Respondi: Só estou avisando, se você continuar com essas jogadas, ele falou que vai te partir no meio”.
O concerto do Santos terminou 5 x 1. Apesar da forte marcação de Luís, Pelé marcou um gol. Coutinho, Toninho, Douglas — substituto do Rei, que saiu aplaudido — e Wilson completaram o placar segundo a ficha técnica fornecida ao blog por Guilherme Gauche, do departamento de história e estatística do clube paulista. O lateral-esquerdo Aderbal fez o de honra do combinado candango. “Nossa seleção era formada praticamente por jogadores do Rabelo. Fizemos o possível para segurar o Santos, mas o time deles era uma academia. Tivemos uma aula. O Pepe chutava forte demais, meu Deus!”, lembra.
FICHA TÉCNICA
Data: 25/5/1967
Local: Estádio Pelezão
Seleção de Brasília 1
Zé Válter;
Didi, Melo, Varnesi e Aderbal;
Luís e Beto (Paulinho);
Sabará, Zé Maria, Edinho (Cid) e Arnaldo
Técnico: Samuel Lopes
Santos 5
Cláudio;
Lima, Joel, Orlando (Oberdan) e Rildo;
Zito (Bougleaux) e Clodoaldo;
Wilson, Coutinho, (Toninho), Pelé (Douglas) e Abel (Edu).
Técnico: Antoninho
Gols: Pelé, aos 3, e Coutinho, aos 40 minutos do primeiro tempo. Wilson, aos 18, Douglas, aos 35, e Aderbal, aos 38, e Toninho, aos 44 minutos do segundo tempo.
QUASE VIROU PRESENTE DE 1 ANO
Pelé por pouco não entrou em campo em 21 de abril de 1961, na comemoração do primeiro aniversário de Brasília. O clube paulista venceu a partida por 4 x 0, mas Pelé não jogou. Veja o que diz a justificativa na época na edição do Correio Braziliense: “Pelé foi demoradamente aplaudido quando entrou em campo. Mas o público ficou decepcionado: o famoso craque brasileiro estava sem o uniforme de jogo. O técnico Lula e os médicos do clube revelaram que ele estava contundido”
A segunda exibição de Pelé em Brasília foi em 20 de março de 1974, no velho Mané Garrincha. O extinto Ceub perdeu por 3 x 1 pelo Campeonato Brasileiro. Professor de Educação Física da Secretaria de Educação, Pedro Pradera ousou peitar o Rei durante a partida em defesa do lateral-esquerdo Rildo, com quem Pelé jogara na Copa do Mundo de 1966. No dia seguinte, quase calçou uma chuteira dos sonhos.
Na véspera da partida, o técnico do Ceub, Cláudio Garcia, deu entrevista dizendo que Pelé, aos 34 anos, estava desmotivado. Segundo Pradera, o craque interpretou que havia sido depreciado e entrou em campo aborrecido. “Houve uma falta perto da área e ele (Pelé) começou a bater boca com os caras do nosso time. O Rildo virou pra ele e perguntou: ‘Por que tu tá irritado?’. Ele virou respondeu: ‘Teu técnico tá dizendo que estou uma m…’”.
Na confusão, sobrou para Pradera. “Ele me disse alguma coisa que não lembro e não gostei. Eu era atrevido pra caramba. Olhei pra ele e fui comendo o fígado dele de colherzinha: ‘Vem cá, trata de baixar a tua bola aqui dentro. Você é grande, mas não é dois’. A partir dali, ele não falou mais nada comigo, mas me mandou dois presentes”, revela Pradera.
Mesmo desmotivado e pressionado pelos jogadores do Ceub, Pelé deixou a marca dele no estádio que leva o nome do compadre Garrincha. Nenê e Léo completaram o placar e Gilberto descontou para o time do DF.
Após o jogo, Pelé saiu com o amigo Rildo do Ceub. No encontro, elogiou Pradera. “Palavras do Rildo, que hoje mora nos Estados Unidos e foi quem me contou: “Gostei muito daquele zagueiro do teu time, é forte e tem personalidade. Leva esses presentes e entrega para ele”.
As lembranças eram uma camisa autografada do Santos e um par de chuteiras. “Cara, era uma chuteira Puma, sonho de qualquer jogador na época”, lembra Pradera. O brinde não ficou com ele. “Não coube nos meus pés. Eu dei para alguém, não lembro quem”, diverte-se o zagueiro. Desapegado, Pradera não guarda nem a camisa histórica. “Está com o meu pai”, riu.
FICHA TÉCNICA
Data: 20/3/1974
Local: Estádio Mané Garrincha
Ceub 1
Valdir;
Luiz Carlos, Pedro Pradera, Emerson e Rildo;
Alencar e Rogério (Gilberto);
Cardosinho, Renê, Juraci (Carlos Roberto) e Dário
Técnico: Cláudio Garcia
Santos 3
Wilson
Hermes, Oberdan, Vicente e Turcão;
Nelsi, Leo e Nenê (Brecha)
Mazinho, Pelé e Edu (Eusébio)
Técnico: Pepe
Gols: Nenê, aos 20 minutos do primeiro tempo. Pelé, aos 23, Léo, aos 28, e Gilberto, aos 33 minutos do segundo tempo.
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