Boca Juniors x Fluminense: semelhanças com a final da Champions League

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O roteiro da final da Libertadores neste sábado, às 17h, no Maracanã, lembra muito o script da decisão da última edição da Champions League. Em junho, na Turquia, tínhamos um time fora da caixinha chamado Manchester City em busca do título inédito sob o comando de um técnico ousado: Pep Guardiola. Do outro, a tricampeã Internazionale, uma equipe desafiada a desvendar o adversário inglês para não ser terrivelmente devorado por ele em Istambul.

Qualquer semelhança nao é mera coincidência. Guardadas as devidas proporções, o Fluminense é uma espécie de Manchester City da Libertadores. Não no que diz respeito ao investimento, mas ao estilo de jogo. Assim como Pep Guardiola, o inquieto Fernando Diniz curte formações dispostas a sair do lugar comum. A exibir um futebol diferentão. É preciso competir, sim, porém o combo inclui entreter, divertir, se possível revolucionar o futebol.

O Manchester City não conseguiu impor o estilo contra a Internazionale. A final, em Istambul, foi amarrada. A Internazionale fez da marcação e da obediência tática ao plano de jogo do técnico Simone Inzaghi uma obsessão. Houve preocupação defensiva. A defesa encaixotou o centroavante Erling Haaland na marcação, mas também mostrou empenho ofensivo. A equipe italiana atacou o Manchester City. Criou oportunidades.

A partida foi definida por um homem do meio de campo. O espanhol Rodri entrou em ação no segundo tempo e desatou o nó tático da partida a favor do Mancheter City. O triunfo por 1 x 0 frutrou quem esperava uma final brilhante. O Manchester City segurou o restulado como se fosse um time pequeno. Arriscou sofrer o empate, porém ganhou o titulo inédito.

Assim como a Internazionale fez com o Manchester City, o Boca Juniors terá de decifrar o Fluminense. Esmiuçar os conceitos do dinizismo. Do contrário, será presa fácil como o River Plate na derrota por 4 x 1 para o time tricolor, no Maracanã, pela fase de grupos. É preciso cortar as conexões do meio de campo tricolor com o artilheiro isolado Germán Cano.

O Fluminense é favorito, tem mais time, porém precisa respeitar a camisa pesada do adversário. O Boca Juniors parte em busca do heptacampeonato. A meta é igular o recordista de títulos Independiente, colecionador de sete títulos continentais. Fernando Diniz deve dar passagem a Martinelli. O volante vem pendindo espaço no time. Logo, deve sobrar para o atacante John Kennedy. Em tese, o setor teria André, Martinelli e Cano, com Arias, Cano e Keno no ataque. O modelo daria mais estabilidade no sistema defensivo.

As nuances táticas lembram o embate entre Manchester City e Internazionale. De um lado, o um time disposto a ter a posse da bola e outro à espera dos erros para contra-atacar. O City teve 56% de domínio contra 44% dos italianos. Por incrível que pareça, finalizou menos no gol do que o rival: 4 x 6. No geral, o City concluiu sete lances contra 14 da Inter.

No Rio, o Fluminense terá a bola nos pés por mais tempo. Tomará a iniciativa da partida. A questão é se Fernando Diniz conseguirá fazer com que o Fluminense converta a posse de bola em finalizações. O City teve dificuldades. Do outro lado, o Boca Juniors não me parece capaz de marcar e atacar o tricolor como fez a Internazionale, em Istambul. O plano de Jorge Almirón certamente será se posicionar com bloco baixo à espera de um erro, por uma bola. Impossível esperar um duelo vistoso, no Maracanã. A tendência é um jogo muito tático.

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Marcos Paulo Lima

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