Bipolares na Copa do Brasil, Fla e Palmeiras correm risco na Libertadores

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No duelo entre Palmeiras e Flamengo, avançou às quartas de final o time menos bipolar. Há muita decepção com o plano de jogo de Tite e Abel Ferreira no campo do adversário. A equipe rubro-negra se impôs no Maracanã diante de um alviverde covarde, poderia ter decidido a série, e se complicou no Allianz Parque. Em São Paulo, os papéis se inverteram, O Palestra mostrou-se imponente, poderia ter levado a decisão aos pênaltis e a trupe carioca comportou-se acuada, intimidada. Está entre os oito, mas com sorriso amarelo.

O desfecho das oitavas de final deixa recados importantes para os dois elencos mais caros e badalados do país para o mata-mata da Copa do Brasil, principalmente ao Flamengo. Os tricampeões continentais terão pela frente o Bolivar na próxima semana. Óbvio, é obrigatório construir um bom resultado no Maracanã devido ao duelo na volta, a 3.600m de altitude no estádio Hernando Siles, em La Paz.

A questão é: a necessária margem de segurança no Rio de Janeiro contra o Bolívar será suficiente para o duelo de volta na capital boliviana? Se o comportamento do Flamengo no ar rarefeito for o mesmo apresentado no Allianz Parque, a resposta de bate-pronto é não. Logo, haverá risco de reviravolta em um ambiente extremamente hostil do ponto de vista da torcida adversária e do desgaste físico causado pelos efeitos da altitude.

A bipolaridade do Flamengo em mata-mata não é exclusiva da série contra o Palmeiras. O time construiu uma vantagem mínima em casa contra o Amazonas na terceira fase e sofreu horrores em Manaus diante do adversário. O comportamento foi semelhante ao adotado no Allianz Parque até o centroavante Pedro afrouxar o nó da gravata e carimbar a vaga. Antes disso, o que se viu foi um Flamengo perturbado pela pressão do Amazonas.

A eliminação diante do Flamengo apresenta lições ao Palmeiras também. Assim como na Copa do Brasil, os tricampeões da Libertadores disputarão o primeiro jogo do mata-mata no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. É inaceitável repetir contra o Botafogo a postura do jogo de ida contra o Flamengo. Abel Ferreira precisa injetar ambição no elenco para evitar levar problemas como um 0 x 2 adverso de volta para a casa. A obrigação de fazer o resultado transforma radicalmente a atmosfera em casa. Vai deixando o clima pesado. Exatamente como se viu nos últimos minutos nessa quarta-feira.

Flamengo e Palmeiras não podem ser bipolares nas oitavas de final da Libertadores sob pena de serem castigados por Bolívar e Botafogo, respectivamente. Ou assumem o papel de protagonistas nos respectivos mata-matas com e sem mando, ou ficarão pelo caminho.

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Marcos Paulo Lima

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