A entrada de Luan mudou a Seleção olímpica na conquista do ouro. Foto: MowaPress
A ausência de Luan na lista final da Seleção Brasileira para a Copa da Rússia coloca em xeque a tese de que houve intervenção de Tite no trabalho de Rogério Micale na conquista inédita da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. A guinada verde-amarela naquele torneio aconteceu quando Micale barrou o meia brasiliense Felipe Anderson e apostou justamente no menino do Grêmio na partida crucial contra a Dinamarca, na Arena Fonte Nova, em Salvador.
Na época, o Brasil havia empatado por 0 x 0 com o Iraque e a África do Sul no Mané Garrincha. A Seleção deixou Brasília sob vaias e gritos de “Marta” contra as más atuações do camisa 10 Neymar. Diante do risco de eliminação precoce na fase de grupos das Olimpíadas, Tite e Edu Gaspar viajaram até Salvador. Curiosamente, Luan apareceu entre os titulares, o time passou a jogar no 4-2-4 e o jogador do Grêmio virou um dos diferenciais do time.
Luan marcou o terceiro gol no massacre por 4 x 0 sobre a Dinamarca e praticamente confirmou a presença do Brasil nas quartas de final. Na sequência, afrouxou o nó da gravata da Seleção ao fazer o segundo gol na vitória por 2 x 0 sobre a Colômbia, na Arena Corinthians. Nas semifinais, deixou o dele nos 6 x 0 contra Honduras, no Maracanã. O quarteto formado por Neymar, Luan, Gabriel Barbosa e Gabriel Jesus virou um terror para as defesas adversárias. Além de marcar dois gols, Luan deu duas assistências — ambas para Gabriel Jesus.
A pergunta que não quer calar é: se a entrada de Luan como titular, lá em Salvador, na terceira rodada da fase de grupos das Olimpíadas, teve a influência ou a intervenção (com queira) do Tite, como se fala, por que Luan — eleito no ano passado o melhor jogador da América —, não está entre os 23 escolhidos para a Copa do Mundo da Rússia?
Em uma pergunta que fiz a Rogério Micale depois do empate com o Iraque aqui em Brasília, o técnico falou grosso e respondeu que quem escalava o time era ele. Tite afirmou mais de uma vez que, por questões éticas, não teve ingerência no trabalho de Micale. O treinador da seleção olímpica pressionou os jogadores num dia, em Salvador, e Tite desembarcou em Salvador no outro para dar respaldo ao comandante da equipe sub-23.
As justificativas para a ausência de Luan estavam nas convocações e nas escalações de Tite. A primeira dica de que ele não teria espaço na Seleção pintou dois dias depois da conquista da medalha de ouro. O craque do Grêmio foi o único dos quatro atacantes de Micale ausente na lista para os duelos contra o Equador e a Colômbia pelas Eliminatórias para a Copa da Rússia. Neymar, Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa estavam entre os 23. A exceção? Luan.
A segunda amostra grátis de que Tite não contava com Luan aconteceu no amistoso beneficente contra a Colômbia pelas vítimas do acidente da Chapecoense. Tite preferiu começar com Diego Souza improvisado na função de falso 9. O atacante tricolor só entrou no segundo tempo da vitória por 1 x 0 no Estádio Nilton Santos.
Luan voltou a ter chance na vitória por 2 x 0 sobre o Equador na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. Tite massageou o ego da torcida da casa. Entrou em campo para a saída de Willian. Pronto. Foram as únicas oportunidades dele na Seleção principal sob o comando de Tite.
Portanto, se alguém apostou em Luan na conquista da inédita medalha de ouro foi Rogério Micale. Talvez, até mesmo contra Tite, que viu o Brasil jogar no 4-2-4, com Walace e Renato Augusto na função de volantes e Neymar, Luan, Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa na frente.
Estava mais do que escrito, desenhado que Tite não levaria Luan para a Copa da Rússia. Rogério Micale pensava o jogo de um jeito e Luan fazia parte da ideia dele. Tite pensa o jogo de outra maneira e Luan não se enquadra no projeto do hexa. Era tudo muito óbvio.
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