Aula de alemão: escola germânica de técnicos conquista Champions League pela terceira temporada consecutiva

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A escola alemã de técnicos vive tempos de esplendor. O campeão da Uefa Champions League é um germânico pela terceira temporada consecutiva. A hegemonia no principal torneio de clubes do mundo começou em 2019 com Jürgen Klopp (Liverpool), avançou com Hansi Flick em 2020 (Bayern de Munique) e chega ao tricampeonato com Thomas Tuchel (Chelsea) neste sábado na vitória por 1 x 0 contra o Manchester City, de Pep Guardiola, por 1 x 0, no Porto, em Portugal.

Um dos trunfos dos treinadores germânicos é formar times coletivos e competitivo. Sem ênfase no individualismo, em astros. A Alemanha campeão da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, era assim. Joachim Löw não tinha um fora de série no elenco. Liverpool, Bayern de Munique e o Chelsea, também não. Isso facilitou o sucesso de Thomas Tuchel.

O alemão tinha Neymar e Mbappé na decisão da temporada passada, em Lisboa. Comandava o Paris Saint-Germain na final contra o Bayern de Munique. O time francês era planejado para que, principalmente, Neymar, decidisse o jogo. O time orbitava em torno do brasileiro ou do francês Mbappé. O estilo coletivo do Bayern se impôs e pulverizou os individualismos do PSG.

O Chelsea é bicampeão da Champions League porque, ao contrário daquele PSG, comprou a ideia do futebol coletivo defendido pela escola alemã. O excelente volante Kanté é um símbolo do que estou falando. Que jogador! Graças a gente como ele, Thomas Tuchel teve mais facilidade para implementar sua filosofia no time inglês do que no francês.

Mendy é o primeiro técnico negro campeão da Champions League como titular na final desde o brasileiro Dida com o Milan na temporada 2006/2007

Rapidamente adaptou a equipe ao sistema com três defensores, ou seja, deu a cara dele ao time londrino. Contou para isso com o brasileiro Thiago Silva. O zagueiro entende o que o treinador havia tentado fazer em Paris.

Na minha avaliação, Pep Guardiola facilitou um pouquinho a vida de Guardiola. Foi picado novamente pelo bichinho de mexer no time em jogos decisivos. Foi assim na eliminação contra o Lyon nas quartas de final da temporada passada. O City parecia bagunçado – o que é raro em times de Guardiola – e foi superado por um time inferior.

Guardiola também mudou um pouquinho as características do Manchester City contra o Chelsea. Respeitou mais do que em duelos anteriores. Tirou Fernandinho, apostou em Sterling no ataque, ficou exposto a um dos trunfos do Chelsea – a velocidade – e aos lançamentos pelo meio. Em um deles, o jovem alemão Kai Havertz, de 21 anos, campeão europeu sub-17 em 2016 com a seleção da Alemanha, surgiu na cara do gol, ganhou a dividida com o brasileiro Ederson e tocou para a rede. Assim como Didier Drogba em 2012, autor da cobrança do título contra o Bayern de Munique, Havertz virou herói do Chelsea.

Bom para Thiago Silva. O zagueiro marcado por sentar na bola e chorar antes da decisão dos pênaltis contra o Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, finalmente conquista a Liga dos Campeões da Europa. Saiu de campo chorando na final deste sábado. Deixou o jogo contundido. Vice com o PSG dos figurões individualistas Neymar e Mbappé na temporada passada, chega à glória com um Chelsea que comprou a ideia de Thomas Tuchel.

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Marcos Paulo Lima

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