Tite deixou De La Cruz muito preso ao lado direito contra o Botafogo. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
O Flamengo de 2024 sob o comando de Tite começa a lembrar debates daquele de 2000. De uma hora para outra, um clube pobre à época enriqueceu com a parceria da ISL. O elenco ganhou reforços da defesa ao ataque, especialmente do meio para a frente. Gamarra, Petkovic, Alex, Denílson e Edilson desembarcaram na Gávea. Não havia o Ninho do Urubu.
A questão era como acomodar tantos talentos nas quatro linhas. O meio de campo ficou pequeno para os maestros Petkovic e Alex. Ambos poderiam atuar juntos? Como escalar Edilson e Denílson no ataque, ou seja, dois jogadores de drible e velocidade, sem um centroavante? Usar um nove ou falso nove? O tempo passou, a ISL faliu, virou escândalo mundial e restaram Gamarra, Petkovic e Edílson — os heróis do tri carioca em 2001.
Os tempos mudaram. O Flamengo suou bicas para pagar dívidas e ostentar a maior receita da América do Sul. em 2019, no início da era Rodolfo Landim, se deu ao luxo de entregar a Abel Braga Everton Ribeiro e Arrascaeta. O debate também era aquele de 2000: se ambos poderiam atuar lado a lado. Abel fracassou. Jorge Jesus conseguiu.
A questão da vez diz respeito aos meias uruguaios De La Cruz e Arrascaeta. Incluo Gerson na discussão. Tite comprou a “briga” que o colega dele, Marcelo Bielsa, evita na seleção do Uruguai. De La Cruz é titular na Celeste. Ponto. Arrascaeta virou opção na reserva Assim como no Flamengo, há excesso de talento no setor. Bielsa também desfruta de Valverde e Bentancur. O meio de campo ideal de Bielsa tem Ugarte, Valverde e De La Cruz no meio; os pontas abertos Pellistri e Max Araújo; e o centroavante Darwin Núñez.
Tite está disposto a ter De La Cruz e Arrascaeta juntos no meio de campo. Marcelo Bielsa não comprou essa briga. Valverde é titular com De La Cruz, e Arrascaeta fica sentado no banco. Guardadas as devidas proporçòes e características de cada jogador, algo parecido com o debate entre De La Cruz, Arrascaeta e Gerson. Com três deles, Tite fica sem um ponta na direita. Com dois deles, Bielsa abre espaço para dois extremos no Uruguai.
Ideias diferentes para os mesmos jogadores. Tite tem o direito de colocar em prática o que fez, por exemplo, no Corinthians. O Timão campeão da Libertadores em 2012 tinha dois meias lado a lado: Alex e Danilo respaldados por Paulinho, uma espécie de Gerson daquela equipe. Ralf segurava a onda praticamente como único volante. Na frente, um atacante de movimentação, Emerson Sheik, e um velocista de movimentação: Jorge Henrique. A formação inicial na campanha do bi no Mundial de Clubes contava com Danilo e Douglas na armação. Tite abriu mão de Douglas na decisão contra o Chelsea para ter Jorge Henrique. Na versão de 2015, usava Ralf, Elias, Jadson e Renato Augusto atrás de Malcom e Vágner Love. Tite tem fórmulas prontas, mas elas não necessariamente funcionarão no Flamengo.
A Taça Guanabara serve para ele fazer os últimos testes. Restam cinco jogos para a conclusão da fase classificatória. O mais importante contra o Fluminense no próximo dia 25, pela décima rodada. Os duelos contra Bangu, Boavista, Volta Redonda e Madureira vão funcionar como trabalhos de conclusão do laboratório. Das semifinais do Estadual em diante, a torcida do Flamengo conhecerá a vida como ela é na versão 2024 do Flamengo.
Enquanto o debate sobre De La Cruz, Arrascaeta e Gerson alimenta debates intermináveis, Tite saca truques da cartola. O gol de Léo Pereira, melhor jogador do Flamengo neste início de temporada, lembra os tempos de Seleção do treinador. Quando havia dificuldade, Neymar colocava a bola na cabeça de Thiago Silva, Miranda ou Marquinhos e desatava nós incorrigíveis com a bola rolando. Assim foi construída a vitória por 1 x 0 contra o Botafogo.
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