Apresentando em 1º de março, Ariel Holan comandou o Santos por 54 dias. Foto: Ivan Storti/Santos FC
Independentemente de comandar ou não o Santos contra o Boca Juniors nesta terça, na segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, o técnico Ariel Holan durou menos tempo no cargo do que outra aposta estrangeira recente do clube paulista. Contratado no início do ano passado, o português Jesualdo Ferreira passou 15 jogos no cargo, com 6 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. O argentino passou 54 dias no emprego e acumula 12 jogos, com 4 vitórias, 3 empates e 5 derrotas. Holan tinha tudo para realizar um trabalho promissor em longo prazo com os meninos da Vila, mas os vândalos não permitiram. Marcado por ter sofrido ameaças no Independiente, o profissional de 60 anos não quis pagar para ver o mesmo acontecer com ele no Santos. Certíssimo.
O Santos é mais um time da Série a trocar de treinador no fim de semana. O Fortaleza demitiu Enderson Moreira depois da eliminação contra o Bahia nas semifinais da Copa do Nordeste. Grêmio, Sport e Chapecoense também mudaram o comando nesta temporada. O tricolor trocou Renato Gaúcho por Tiago Nunes; o Leão da Ilha demitiu Jair Ventura e contratou Umberto Louzer; e a Chapecoense aposta em Mozart no lugar justamente para o lugar de Louzer.
A saída de Ariel Holan surpreende, mas está dentro da previsibilidade administrativa do Santos. O vice-campeonato na Libertadores da temporada passada e a classificação para a temporada deste ano foram conquistadas a fórceps pelo antecessor, Cuca. O Peixe amarga grave crise financeira, salários atrasados e perdeu jogadores importantes como o zagueiro Lucas Veríssimo (Benfica), o volante Pituca (Kashima Antlers) e foi obrigado a negociar Soteldo com o Toronto FC, da Major League Soccer (MLS). Para completar, Sandry se machucou.
Segundo o presidente Andres Rueda, o argentino comunicou a decisão de deixar o Santos depois da derrota para o Corinthians e pediu que a partida contra o Boca, em La Bombonera, seja a última dele no cargo. Um foguetório em frente à residência de Holan teria sido o estopim para o pedido de demissão do treinador de 60 anos.
Ariel Holand não é técnico de se sujeitar a pressões da torcida. Quando trabalhava no Independiente, ele pediu o boné depois da conquista da Copa Sul-Americana de 2017 contra o Flamengo em retaliação a ameaças de barra bravas, torcida fanática do clube de Avellaneda. O treinador teria sido vítima de tentativa de extorsão por conta de torcedores.
O português Jesualdo Ferreira foi demitido pelo Santos com 63% de aproveitamento, mas futebol ruim. Argentino Ariel Holan pede demissão com desempenho de 45% no clube paulista
O caldo entornou de vez quando Ariel Holan teve o carro interceptado por um veículo e uma moto de torcedores ao deixar o centro de treinamento do Independiente. Um chefe de torcida organizada saiu do automóvel e ameaçou o comandante do time. Caso não aceitasse pagar US$ 50 mil, Holan não teria apoio, muito menos paz no time argentino.
Diante da negativa, a torcida organizada viu a ameaça se concretizar. Mesmo conseguindo fazer o Independiente jogar bom futebol e terminar a temporada com título continental, o técnico continuou lidando com ameaças aos seus familiares. Traumatizado com a pressão no Independiente, Ariel Holan certamente escolheu não se submeter a isso novamente no Santos.
“Ponderamos, não era o que eu queria. O pessoal confunde projeto de três anos com contrato de três anos com o treinador. Existe uma quebra de contrato de qualquer parte. Ponderamos e de comum acordo aceitamos essa situação. Tentei reverter, não teve jeito. Houve até caso de fogos no apartamento dele. Soltaram rojão. Isso o deixou de uma maneira pouco confortável. Agora de manhã estamos vendo se realmente vai ser nosso técnico com o Boca ou se não vai ser nosso técnico com o Boca. Neste sentido, o clube tem uma coisa boa, uma comissão permanente”, explicou Andres Rueda em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira.
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