A aplicação tática do Água Santa na marcação incomodou o Palmeiras. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
A vitória do Água Santa por 2 x 1 no primeiro jogo da final do Campeonato Paulista ressuscita fantasmas. Em 1986, o Palmeiras perdeu o título do Campeonato Paulista para o Internacional de Limeira. Comandado por Pepe, o time do interior tinha um timaço liderado em campo pelo meia Lê e o centroavante Kita. Segurou 0 x 0 na ida e venceu por 2 x 1 na volta. Os dois duelos foram no Morumbi à época. Portanto, a surpreendente equipe de Diadema tem em quem se inspirar e a vantagem do empate para conquistar o título no Allianz Parque no próximo domingo, mas obviamente não será fácil.
A cabeça fria e o coração quente de Abel Ferreira costuma fazer a diferença justamente em momentos como esse. No ano passado, o São Paulo abriu vantagem de 3 x 1 no primeiro duelo da final do Estadual. O Palmeiras impôs 4 x 0 na volta e celebrou a conquista.
A aplicação do Água Santa não surpreende. Organizado e comprometido, o time de Thiago Carpini eliminou dois times da Série A para chegar à final: São Paulo e Red Bull Bragantino e conta com um centroavante em fase iluminada. Autor dos dois gols da vitória, Bruno Mezenga briga pela artilharia do Paulistão. Tem um a menos do que os eliminados Galoppo e Róger Guedes. Ultrapassou o concorrente Rony. Ambos disputarão o topo na batalha final.
O Agua Santa se aproveitou de um Palmeiras aparentemente desconectado da final. Talvez, a ausência de um gigante na decisão tenha relaxado peças importantes do time como Marcos Rocha. O lateral-direito falha no lance do segundo gol de Mezenga. Os convocados para a Seleção também pareciam em outra rotação. Faltou um pouco mais do meia Raphael Veiga e do atacante Rony. O goleiro Weverton não teve culpa nos gols do Água Santa. O Palmeiras também parece ter estranhado as dimensões e a qualidade do gramado. Parecia com dificuldade para jogar de forma compactada.
O ponto positivo da derrota é o fim da abstinência do menino Endrick. O time alviverde perdia por 1 x 0. Abel Ferreira conhece o histórico do brasiliense de 16 anos. Tem fama de artilheiro nas decisões. A promessa mais pressionada do futebol brasileiro não decepcionou. Empatou o confronto e quase manteve intacto o sonho do título invicto. O Corinthians de 2009 continua sendo o último campeão do Paulistão sem derrotas do início ao fim do campeonato.
Endrick não marcava desde a goleada do Palmeiras por 4 x 0 contra o Fortaleza, em 3 de novembro, no Allianz Parque, pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois daquela bola na rede, o atacante foi utilizado em 15 partidas. Acumulou abstinência de 1.350 minutos. Foi poupado pelo técnico Abel Ferreira nos duelos contra São Bernardo e Ituano no mata-mata.
Abel Ferreira sacou Breno Lopes para a entrada de Endrick. Bastaram duas oportunidades para ele estufar a rede. Na primeira, ele chutou fraquinho depois de receber a bola do volante Zé Rafael. Na segunda, tirou proveito do lance letal do Palmeiras: cobrança de escanteio. Raphael Veiga bateu, Zé Rafael desviou de cabeça e Endrick finalmente fez as pazes com a rede.
Festejar gol em final é normal para Endrick. Agora, são oito gols em cinco finais com as camisas do Palmeiras e da Seleção Brasileira. Deixou as marcas dele na decisão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, Copa do Brasil Sub-17, Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro Sub-20 e Torneio de Montaigu na decisão contra a Argentina, na França. No domingo que vem tem mais.
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