A vitória do Palmeiras contra o Sporting Cristal tem uma coincidência no mínimo curiosa: a dificuldade do técnico Abel Ferreira contra colegas brasileiros comandantes de times de fora do Brasil. Foi assim contra a LDU de Tiago Nunes nas semifinais da Libertadores do ano passado. Repetiu-se no duelo tático com Zé Ricardo na noite desta quinta no Allianz Parque.
Para variar, o Palmeiras teve um início de jogo avassalador, mas o gol não saía. A agonia de uma torcida ansiosa parecia ter acabado aos 27 minutos no gol de cabeça do zagueiro Murilo. Como sempre, ela, a bola aérea, um dos pontos fortes do “abelismo” desde o desembarque do português no Allianz Parque em novembro de 2020.
O Sporting Cristal acertou um chute a gol. Mas que chute o protagonizado por Juan Gonzalez. Um golaço indefensável para o goleiro Carlos Miguel antes de entrar em cena a melhor versão de Zé Ricardo. Aquela que o torcedor do Flamengo tinha ojeriza, mas é compreensível levando em conta a atual realidade do treinador lançado no Ninho do Urubu.
O time peruano se fechou na tentativa de dificultar ao máximo as ações do Palmeiras. Ficou entrincheirado na defesa até o lance crucial — e polêmico da partida: a marcação do pênalti discutível de Cuenca em Arthur Gabriel. Flaco López converteu aos 35 minutos do segundo tempo e afrouxou o nó da gravata dos torcedores alviverdes no Allianz Parque.
A vitória do Palmeiras esteve em risco em uma defesa providencial do goleiro Carlos Miguel, mas o Palmeiras fez valer o favoritismo em casa.
Fica o detalhe curioso. Tiago Nunes quase eliminou Abel Ferreira da Libertadores no ano passado com uma LDU muito inferior ao Palmeiras. Zé Ricardo arrancava um ponto até os 35 minutos do segundo tempo. É só porque os dois conhecem bem o estilo do português ou o debate vai muito além disso?
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