A soma de todos os erros: anatomia da queda do Botafogo na Libertadores

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Fidelidade canina a um sistema de jogo costuma virar caos quando se decide trocá-lo sob pressão. Martin Anselmi tem 15 jogos como técnico do Botafogo. Formatou o time no 3-4-3, 3-5-2, 3-4-3-1 ou 5-4-1 com linha de três ou de cinco defensores em 13 partidas. As exceções foram em duas partidas contra o Boavista configurado no 4-2-3-1.

Quem contratou o treinador argentino sabia do apego dele ao 3-4-3. Imagino. Nem sempre com três zagueiros de origem. Funcionava justamente assim no La Calera, no Independiente del Valle, no Cruz Azul e no Porto.

Martin Anselmi iniciou o duelo de volta contra o Barcelona de Guayaquil no modelo de sempre. Mateo Ponte, Bastos e Alexander Barboza formavam a trinca.

O gol marcado por Milton Celiz aos oito minutos do primeiro tempo pressionou o treinador argentino a abrir mão de um dos beques na tentativa de tornar o Glorioso mais ofensivo. Ele sacou Mateo Ponte e colocou Correa em campo aos 34 minutos.

O Botafogo saiu da viciada linha de três para o posicionamento com dois laterais e dois zagueiros na defesa. Passou a atuar no 4-2-3-1 usado e testado apenas em jogos contra o Boavista nas semifinais da Taça Rio e a mudança mostrou-se incapaz de forçar a disputa por pênaltis contra o Barcelona de Guayaquil.

A derrota por 2 x 1 no placar agregado não tem apenas um culpado. São vários. Dentro e fora das quatro linhas.

A mania de vender e comprar goleiros não passaria impune. Quem tinha tantos até pouco tempo, hoje não tem nenhuma. Neto falhava. Léo Linck também. Errou no lance do gol equatoriano. A bola era defensável. O torcedor alvinegro sentiu saudade do John outra vez. O goleiro do Nottingham Forest se recupera de contusão no clube carioca.

Fora das quatro linhas, John Textor segue tratando uma entidade centenária como atividade meio – e não fim. Muito interesses se sobrepõem ao maior deles, que deveria ser a gestão exemplar do clube campeão do Brasileirão e da Libertadores em 2024.

A guerra por dinheiro entre o grupo econômico do empresário estadunidense, a queda de braço entre a SAF e o clube social, o transfer ban imposto pela Fifa e perdas evitáveis como as transferências do volante Marlon Freitas para o Palmeiras e do meia Savarino rumo ao Fluminense custam caro a essa altura do (inicio) da temporada.

Ambos saíram porque se anteciparam ao que estavam vendo de errado e o lateral-esquerdo Alex Telles verbalizou na saída do grama em entrevista à ESPN depois da eliminação na Pré-Libertadores.

“O impacto (da eliminação) é muito grande. Muitas vezes nós, jogadores, damos a cara. É a gente que vem jogar e dar nosso melhor, mas o clube não é feito só de jogadores. Eu boto a mão no fogo por esse grupo, a gente não merecia isso. Futebol não aceita desaforo, e nosso grupo nunca desaforou o futebol”, desabafou o capitão.

“Mas, como falei, o futebol não é feito só dos atletas, é feito de muita coisa. Dia triste, não era o nosso objetivo. Esse grupo merece mais, a gente trabalha dia a dia e deu para ver, corremos até o fim. Futebol infelizmente é isso. Nos resta voltar a trabalhar porque temos jogos importantes já na semana, a gente não pode baixar a guarda nunca”, disse.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: 3-4-3 Alex Telles Análise tática Barcelona de Guayaquil Botafogo Crise Alvinegra Futebol brasileiro Gestão esportiva John Textor Libertadores 2026 Marlon Freitas Martin Anselmi SAF Botafogo Savarino transfer ban

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