A posse de Alcino Rocha como secretário-geral da CBF, as sinalizações de Ednaldo Rodrigues ao governo Lula e o fator Andrés Sanchez

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O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai mostrando aos poucos algumas características de sua gestão. Uma delas é a paciência para traçar o plano de jogo. Inclusive no campo político. Eleito em 23 de março do ano passado, Ednaldo Rodrigues guardou uma carta na manga para usá-la somente depois do resultado da corrida pelo Palácio do Planalto. Se Jair Bolsonaro (PL) ganhasse, a escolha do secretário-geral da entidade teria um perfil. Se desse Luiz Inácio Lula da Silva, outra totalmente diferente.

A entidade ficou parada no trevo à espera dos resultados, observou a vitória de Lula, a montagem dos ministérios e deu uma guinada à esquerda ao apresentar Alcino Reis Rocha como novo secretário-geral da CBF. O cargo ocupado anteriormente por Walter Feldman e Eduardo Zebini estava vago havia 10 meses. É estratégico. No organograma, está abaixo apenas de quem o nomeou: Ednaldo Rodrigues. Para se ter uma ideia, quando a Conmebol queria realizar a Copa América 2021 na marra, no Brasil, em meio à pandemia, o então secretário Walter Feldman foi quem fez a ponte com Jair Bolsonaro em nome do então presidente Rogério Caboclo em busca da autorização. Conseguiu e o torneio programado para rolar na Colômbia e na Argentina veio parar no país pela segunda vez em três anos.

Alcino Reis Rocha tem conexão com o poder. No segundo mandato de Lula, foi o primeiro secretário Nacional de Futebol e Defesa do Torcedor. O cargo nasceu na gestão de Orlando Silva no Ministério dos Esportes. Além disso, ocupou a presidência da São Paulo Turismo, quando o agora ministro da Fazenda Fernando Haddad era o prefeito. “Eu agradeço enormemente a confiança de Ednaldo ao assumir o cargo e trabalharei a cada dia para honrar essa confiança. E também honrar com o patrimônio e a história dessa entidade. Nosso futebol é  motivo de orgulho para o nosso país e para o nosso povo”, afirmou Alcino Rocha em declaração publicada no site oficial da CBF.

Logo, ao escolhê-lo, a entidade tenta estabelecer elos fortes com o novo governo no relacionamento político em busca dos interesses da entidade. Em um futebolês claro, trata-se de uma inversão de bola da direita para a esquerda muito bem ensaiada nos bastidores, mas sujeita também a contrapartidas. Ao toma-lá-dá-cá.

Uma contrapartida está quicando desde o triunfo de Lula nas urnas e pode virar uma bola de neve. Um dos aliados do chefe do executivo é o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. O blog apurou que há um movimento forte na Esplanada dos Ministérios pela inclusão do ex-cartola alvinegro na CBF. A presença dele no Catar durante a Copa do Mundo, e até mesmo na homenagem da Fifa a Ednaldo Rodrigues no Estádio Ahmed Bin Ali, em Al Rayyan, na Copa do Mundo, não foram meramente casuais.

Lula considera Andrés Sanchez um dos aliados de primeira hora. Gente graúda em Brasília disse ao blog que o Planalto espera sinalização positiva da CBF para a presença dele na entidade máxima do futebol brasileiro. Antes do Mundial, o dirigente teve o nome especulado para retornar ao cargo de diretor da seleção.

Andrés tem dito a interlocutores que aguarda a nomeação por parte de Ednaldo Rodrigues para colocar as mãos na massa. No fim da gestão de Ricardo Teixeira, ele ocupou o cargo de diretor de seleções por dois anos, de 2011 a 2012. À época, Mano Menezes era o técnico. Internamente, o nome dele sofre resistência por parte de alguns caciques da CBF. O cenário deve se desenrolar nos próximos dias com as oficializações das rescisões contratuais de Tite e Juninho Paulista da Seleção Brasileira.

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Marcos Paulo Lima

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