A noite em que Allan incorporou Julinho Botelho, o maior ponta do Palmeiras

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O palmeirense raiz sabe de quem vou falar: Allan incorporou Julinho Botelho na virada épica por 4 x 3 contra a LDU nas semifinais da Libertadores. O maior ponta-direita da história alviverde baixou no menino de 21 anos. A cria alviverde deu assistência para o gol de Sosa. Participou do início da trama do terceiro, consumado por Raphael Veiga. Sofreu o pênalti no quarto depois de um drible antológico em centímetros de gramado perto da bandeirinha de escanteio. Transformou aquele cantinho em latifúndio, enfileirou adversários e foi derrubado dentro da área. Liso, leve e solto, foi Allanzinho Botelho.

Nascido em 29 de julho de 1929, Julinho deixou na memória alviverde 268 jogos, 162 vitórias e 81 gols. Morreu em 10 de janeiro de 2003. Allan tinha um ano quando Julinho partiu, mas rendeu um tributo ao ídolo palestrino com mais uma exibição exuberante de uma cria do clube. Endrick brilhou na campanha do título brasileiro de 2023. Estêvão assumiu o bastão com direito a golaço contra o Chelsea na Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Allan fez da ponta-direita o caminho rumo ao sonho da Glória Eterna.

Allan é mais um menino desequilibrante sob a batuta de um técnico diferenciado. A entrevista coletiva de Abel Ferreira merece ser vista e revista por quem ama futebol. Humanizou-se ao se emocionar dentro e fora do campo. Abriu o coração e chorou. Envergonhado, recebeu justíssimos elogios da presidente Leila Pereira. A dirigente quebrou o protocolo da Conmebol para enaltecer o trabalho de cinco anos do português.

Competente, Abel convenceu a nação alviverde e até os antis de que 90 minutos era muito tempo no Allianz Parque. Entrou na mente da LDU com um sistema de jogo ousado no qual chegava a atacar a linha de cinco defensores equatoriana com seis jogadores.

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O 3-5-2 do Palmeiras, espelhando o modelo de Tiago Nunes, virava 3-1-6. Andreas Pereira (que partidaço!) fazia a distribuição. O time trabalhava com pares no ataque. Allan e Maurício pela direita. Piquerez e Sosa na esquerda. Flaco López e Vitor Roque próximos da área. Era difícil marcar as duplas de “Cosme e Damião” do Abel. O primeiro gol sai de uma inversão de Allan para Sosa.

O repertório teve jogada ensaiada com assistência de Vitor Roque para a redenção do zagueiro Bruno Fuchs, tão criticado por ter perdido o duelo à parte com Pedro na derrota por 3 x 1 para o Flamengo no Maracanã. Se não fez gol, o camisa 9 deu outro passe decisivo para Raphael Veiga marcar o terceiro. A última cena tinha que ser do menino.

Allan incorporou Julinho Botelho perto da bandeirinha de escanteio, partiu em direção ao gol driblando em velocidade com um atacante de raça e só foi parado na base de uma falta bisonha de um marcador assustado com a habilidade do ponta-direita alviverde.

Abel Ferreira viu Sosa honrar a aposta nele, ressuscitou Bruno Fuchs, calou os críticos de Raphael Veiga e silenciou os detratores do goleiro Carlos Miguel. Acusado de sofrer seis gols em dois jogos contra Flamengo e LDU, protagonizou baliza zero em outros dois jogs dificílimos contra o Cruzeiro e a LDU em duas partidas consecutivas.

Escrevi outro dia que o Palmeiras de Abel Ferreira lembra o Boca Juniors de Carlos Bianchi e Miguel Angel Russo na virada do século. O time argentino disputou cinco finais em oito anos, de 2000 a 2007. Ganhou quatro e foi vice uma vez. O Palmeiras está na decisão pela terceira vez em cinco anos sob a batuta do lusitano. Tem que respeitar!

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Marcos Paulo Lima

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