Luciano comemora o gol da vitória do Fluminense sobre o Flamengo. Foto: Lucas Merçon
Vou retornar sete anos no tempo para tentar explicar o triunfo do Fluminense, a eliminação do Flamengo da Taça Guanabara e a paciência de Jó que a torcida rubro-negra precisa ter (ou não) com o contestado técnico Abel Braga. Voltemos a 8 de julho de 2012. Ao histórico clássico dos 100 anos do Fla-Flu no Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro.
Abel Braga era o comandante de um Fluminense rico contra um Flamengo pobre. O tricolor era bancado pela Unimed. Do meio de campo para a frente, contava com Deco, Thiago Neves, Wellington Nem e Fred. Algo parecido com o que teve na noite desta quinta-feira na derrota para o tricolor. Começou com Éverton Ribeiro, Diego, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa.
Há uma coincidência entre os dois times de Abel. O Fluminense de 2012 e o Flamengo de 2019 abriram mão de ter a bola nos pés e colheram resultados diferentes. A equipe de Laranjeiras venceu por 1 x 0. O clube da Gávea perdeu por 1 x 0.
No clássico de 2012, o Fluminense, de Abel, teve 39% de posse de bola contra 61% do Flamengo, comandado à época por Joel Santana — que nunca foi disso, diga-se de passagem. O meio de campo rubro-negro naquele jogo teve: Amaral, Renato Abreu, Ibson e Bottinelli. No ataque, Diego Maurício e Vágner Love. A ideia de Abel deu certo naquele jogo. Fred desequilibrou aos 10 minutos do primeiro tempo e o Fluminense segurou o resultado como um cachorro que não larga o osso. O estilo Abel Braga deu certo não somente naquele clássico, mas no Brasileirão inteirinho. O time dele faturou o título na 35ª das 38 rodadas.
Chegamos ao clássico de 2019. Rico da vez, o Flamengo, de Abel, teve 38,5% de posse de bola contra 61,5% do primo pobre Fluminense, de Fernando Diniz. Ao contrário de 2012, perdeu o Fla-Flu. Poderia até ter vencido se Bruno Henrique e Gabriel Barbosa não falhassem na frente do gol, mas foi castigado pela postura covarde e a falha individual de Arrascaeta. O erro do meia é grave, mas Abel tem mais culpa no cartório. O elenco dele é infinitamente superior tecnicamente dentro das quatro linhas e no banco de reservas.
Ao contratar Abel Braga, o Flamengo topou mudar radicalmente de estilo. Aquele time da posse de bola com Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegiani, Maurício Barbieri e Dorival Júnior está dando lugar ao velho estilo Abel Braga. O jeitão, por exemplo, do vitorioso Fluminense de 2012. Portanto, prepare-se para sofrer mais vezes contra adversários que não abram mão da bola. São os casos do Fluminense (Fernando Diniz), do Santos (Jorge Sampaoli) e do Grêmio (Renato Gaúcho). A menos que Abel dê uma guinada radical na maneira de enxergar o futebol. Não é razoável times ricos e badalados como o Flamengo e o Palmeiras jogarem na base do contra-ataque, da ligação direta. Resumindo: Abel jogou o clássico desta noite com a mesmíssima cabeça do citado Fla-Flu de 2012.
Fernando Diniz foi brilhante porque, em alguns momentos, adaptou suas convicções ao desequilíbrio técnico e financeiros entre os dois times. Sem a bola, soube pressionar o Flamengo no primeiro tempo. No segundo, teve iniciativa, obrigou o adversário a investir nos contra-ataques e nas bolas paradas. O gol da vitória dá a entender que Fernando Diniz treinou insistentemente a pressão na saída de bola. Apostou que, em alguma hora, daria certo. Deu!
Que continue dando certo, Fernando Diniz. Foi a vitória do futebol moderno praticado em 2019 contra ideias retrógradas usadas naquele Fla-Flu dos 100 anos de 2012. Se liga, Abel Braga…
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