A falta que faz um “fora de série” na prancheta de Abel no Palmeiras

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O Boca Juniors tem Edinson Cavani. O Internacional conta com Enner Valencia.  O Fluminense desfruta de Marcelo. Guardadas as devidas proporções, cada um desses times candidatos ao título da Libertadores ostenta um fora de série nas semifinais. A pergunta: quem é a válvula de escape, o ponto de desequilíbrio do Palmeiras? O nome capaz de redobrar a atenção do sistema de marcação do adversário, de gerar no mínimo preocupação? A carência de um fora de série explica em parte a dificuldade alviverde no empate por 0 x 0 na noite desta quinta-feira, em Buenos Aires.

Quando Abel Ferreira olhou para a escalação de Jorge Almirón antes da partida, ele sabia com quem se preocupar. A defesa alviverde deveria ter atenção redobrada com o centroavante Cavani. E daí que o camisa 10 ainda não fez gol na Libertadores com a camisa do Boca Juniors? Mesmo aos 36 anos, trata-se do artilheiro do Campeonato Italiano em 2012/2013 pelo Napoli, do Campeonato Francês nas temporadas de 2016/2017  e 2017/2018 e das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Rússia-2018. Querendo ou não, exige respeito.

A recíproca não é verdadeira. Jorge Almirón olhou para a formação inicial de Abel Ferreira e não enxergou um fora de série para se preocupar. Falta um nome pesado ao Palmeiras faz tempo. Um jogador capaz de causar calafrios no adversário antes de a bola rolar. Cavani desafiou a dupla de zaga formada por Gustavo Gómez e Murilo a monitorá-lo o tempo inteiro. Ambos deram conta. Para mim, foram as melhores peças do Palmeiras no empate, em La Bombonera.

A preocupação do Boca era com dois pontos fortes do Palmeiras: o conjunto e a capacidade da cabeça fria e do coração quente de Abel Ferreira elaborar planos. Para sorte do time argentino, a engrenagem está comprometida em relação a edições anteriores da Libertadores. O português sente falta do volante Danilo e do meia Gustavo Scarpa. Deu o azar de perder Dudu. A reinvenção a toque de caixa a três meses do fim da temporada demanda mais tempo que o necessário.

O Palmeiras funciona como time, tem conjunto, mas Abel Ferreira optou por variar o sistema tática contra o Boca. Saiu do 4-3-3 para o 3-4-1-2. Vira 5-3-2 sem a bola com Mayke no papel de lateral-direito. Marcos Rocha formou trinca de zagueiros com Gustavo Gómez e Murilo. A segunda linha tinha Mayke, Gabriel Menino, Zé Rafael e Piquerez. Raphael Veiga fazia o papel de elo com a dupla de ataque inofensiva formada por Arthur e Rony.  Ouso afirmar que se Cavani estivesse usando uniforme alviverde, a partida teria um vencedor.

Essas são as lições para a próxima semana. Enquanto Boca Juniors, Internacional e Fluminense esperam que Cavani, Valencia e Marcelo façam a diferença nas respectivas partidas de volta, o Palmeiras precisa atualizar ou reinstalar o aplicativo que fez a diferença nas últimas duas conquistas da Libertadores em 2020 e em 2021: o conjunto.  Este, sim, é o diferencial alviverde na caça ao tetracampeonato.

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Marcos Paulo Lima

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