Auxiliar de Reinaldo Rueda chega ao Flamengo 30 anos depois de ter sido oferecido ao rubro-negro

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Ele arrumou as malas duas vezes para trabalhar no Rio. A primeira foi em 1987. Destaque da Colômbia no Pré-Olímpico para os Jogos de Seul-1988, o meia Bernardo “Kunta Kinte” Redín, então com 22 anos, foi oferecido ao Flamengo. O Deportivo Cali vetou. Trinta anos depois, o agora assistente de Reinaldo Rueda — anunciado oficialmente na segunda-feira como novo técnico rubro-negro — preparou novamente a bagagem para embarcar rumo à Cidade Maravilhosa. Desta vez, deu certo. Desembarcou no país na manhã do último domingo.

Homem de confiança do chefe, Bernardo Redín contou ao blog na semana passada que recebeu uma ordem de Reinaldo Rueda antes mesmo de o técnico fechar com o Flamengo: estudar o Botafogo de Jair Ventura. “Gravei a vitória sobre o Nacional do Uruguai (quinta-feira passada) e assisti várias vezes”, conta o auxiliar, que perdeu duas vezes para o Glorioso neste ano, ambas na fase de grupos da Libertadores, e volta a enfrentar o adversário nesta quarta-feira, no início das semifinais da Copa do Brasil. A recompensa da parceria com Reinaldo Rueda é finalmente trabalhar no Flamengo. Um sonho iniciado em 23 de outubro de 1981…

Bernardo Redín tinha 18 anos. Sentado no banco de reservas com a camisa 25, viu o Deportivo Cali perder por 3 x 0 para Raúl; Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Chiquinho, Nunes e Baroninho.  “Eu havia acabado de chegar ao Deportivo Cali. Tinha 18 anos. Participei das duas partidas. Aquele Flamengo era a base do Brasil de Telê Santana nas Eliminatórias de 1981 para a Copa de 1982. Era encantador vê-los jogar”, lembra.

Seis anos depois, pintou a chance de jogar no Flamengo. Era 1987. Bernardo Redín queria jogar com outra constelação rubro-negra, que tinha Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Aílton, Andrade e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. “Infelizmente, os diretores do Deportivo Cali não permitiram a transferência para o Flamengo”, conta o auxiliar de Reinaldo Rueda.

Fora da Colômbia, o meia defendeu apenas dois times: o CSKA Sofia, da Bulgária, e o Oriente Petrolero, da Bolívia. No Deportivo Cali, formou um inesquecível par de meias com um dos seus melhores amigos — Valderrama. O dueto no meio de campo do Deportivo Cali e da seleção da Colômbia o tornou famoso, abriu as portas para ele disputar três edições seguidas da Copa América, em 1987, 1989 e 1991. Nesse intervalo, foi convocado por Francisco Maturana para a Copa do Mundo de 1990, na Itália, e não decepcionou. Fez um gol nos Emirados Árabes Unidos na fase de grupos e contra Camarões nas oitavas de final — aquele jogo da lambança do goleiro Higuita, que termina com o gol do veterano Roger Millar. Os Leões Indomáveis eliminaram a Colômbia e avançaram às quartas.

Depois de rodar na Colômbia por Deportivo Cali, América de Cali, Deportivo Quindio, Junior Barranquilla, Unicosta, Deportes Tolima e Atlético Huila, Bernardo Redín pendurou as chuteiras em 2001 com dois títulos: o Campeonato Colombiano de 1992 e o Boliviano de 2001.

Infelizmente, os diretores do Deportivo Cali não permitiram a transferência para o Flamengo (em 1987)

Bernardo Redín

A carreira como treinador jamais decolou. Passou pelo América de Cali e o Deportivo Cali, mas não fez a diferença. Teve chance do The Strongest, mas também não funcionou. Em 2015, veio a oportunidade de trabalhar com Reinaldo Rueda. Uma combinação quase perfeita. “Bernardo é um profissional que eu quero projetar devido a forma que se comportava em campo e depois nos clubes que dirigiu”, explicou Reinaldo Rueda ao anuncia-lo como seu braço direito.

Em 2014, Bernardo Redín viveu um drama. Foi detido pela Polícia Federal da Colômbia enquanto comandava o treino do Atlético Bucaramanga devido ao não pagamento de impostos de 2006, época em que foi técnico do Atlético Huilia.

Bernardo Redín trabalha com Reinaldo Rueda desde 2015. Queria assessoria do treinador para conquistar novos mercados e acabou sendo convidado para ser seu parceiro. Homem de confiança do novo técnico do Flamengo, comandou o Atlético Nacional durante os 50 dias em que Reinaldo Rueda esteve afastado para se recuperar da cirurgia no quadril.

Discípulo aplicado, Redín conhece Rueda desde 1980, quando chegou ao Deportivo Cali. Diz que o mestre é uma referência nacional por tudo o que conquistou no exterior, elogia a competência do chefe e exalta qualidades pessoais como a humildade, o respeito e a capacidade para lidar com situações difíceis.

Imaginem quando Reinaldo Rueda e Bernardo Redín souberem que há insatisfações da torcida porque um jogador não joga (Conca), porque tem um que joga (Márcio Araújo), porque tem galático com poucas oportunidades (Vinicius Júnior)… Haja problema pra resolver!

Marcos Paulo Lima

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