Estudo identifica possível “ponto G masculino” em nova área do pênis

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Durante muito tempo, o debate sobre prazer masculino se apoiou em explicações simplificadas da anatomia, quase sempre centradas na glande como principal região sensível do pênis. Um novo estudo, no entanto, propõe uma revisão desse entendimento ao destacar uma área até então negligenciada, que pode desempenhar um papel ainda mais relevante na experiência sexual masculina.

A pesquisa descreve a existência de uma zona erógena chamada delta do frênulo, localizada na face inferior do pênis, no ponto em que a glande encontra o corpo. Com formato triangular, essa região reúne características anatômicas que a tornam altamente sensível. Apesar disso, os autores alertam que ela pode ser afetada por procedimentos como a circuncisão e segue pouco explorada tanto em manuais de anatomia quanto na formação de profissionais da área médica.

“Embora isso possa parecer óbvio para qualquer pessoa atenta às sensações do seu pênis durante a atividade sexual, nosso trabalho valida cientificamente a existência de uma região anatômica ventral do pênis que funciona como um centro de sensação sexual”, escrevem os autores do estudo, liderados por Alfonso Cepeda-Emiliani, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha.

Para investigar essa hipótese, os pesquisadores realizaram um mapeamento detalhado das terminações nervosas em 14 pênis de doadores que morreram entre 45 e 96 anos. As amostras foram fragmentadas em lâminas microscópicas, com espessura de poucos micrômetros, e tratadas com corantes capazes de evidenciar os nervos. A análise ao microscópio revelou um dado que contraria o entendimento tradicional: o delta do frênulo apresenta maior densidade de terminações nervosas do que a glande, frequentemente apontada como o principal centro de sensibilidade genital masculina.

Outro achado relevante diz respeito à presença de corpúsculos sensoriais, estruturas responsáveis pela captação de estímulos táteis. Na região do “freio”, esses receptores aparecem concentrados em agrupamentos que podem chegar a 17 unidades, enquanto na glande estão distribuídos de forma mais dispersa. Entre eles, destacam-se os corpúsculos de Krause, associados à percepção de microvibrações geradas pelo contato entre peles, fenômeno diretamente ligado à sensação de prazer.

Diante dessas evidências, os autores defendem mudanças na prática clínica. Eles ressaltam que médicos que realizam circuncisões precisam considerar a preservação dessa área, já que determinadas técnicas cirúrgicas podem atingir o frênulo. Incisões profundas ou a remoção completa dessa estrutura podem comprometer a sensibilidade sexual ao danificar o delta do frênulo.

A denominação dessa região não é recente. Em 2001, Ken McGrath, da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia, propôs o termo “delta do frênulo”, inspirado no formato triangular da área, situada entre as extremidades em “V” da glande. Na ponta desse triângulo está o frênulo, uma pequena faixa de pele que conecta o prepúcio ao pênis. Para os pesquisadores, o fato de essa estrutura ter permanecido à margem do interesse científico por tanto tempo evidencia falhas históricas no campo da medicina sexual e da urologia.