A busca por novidades pode até ditar tendências, mas quando se observa o que realmente funciona na prática, o caminho costuma ser outro. Um estudo citado pela revista GQ indiana e publicado no Journal of Sexual Medicine aponta que a preferência feminina ainda recai sobre a posição mais tradicional: a chamada “papai e mamãe”, em que o casal permanece frente a frente. A escolha não parece estar ligada à falta de repertório, mas ao conjunto de sensações que essa configuração proporciona.
Segundo a pesquisa, cujo método analisou diferentes posições sexuais e seus efeitos no fluxo sanguíneo do clitóris, a “papai e mamãe” se destaca por favorecer tal estímulo de forma mais eficiente, sendo associada a melhores condições fisiológicas para o orgasmo feminino.
Nesse formato, a experiência ainda vai além do estímulo físico. A possibilidade de manter contato visual, perceber as reações do outro de perto e sustentar uma troca mais íntima cria um tipo de envolvimento que influencia diretamente a percepção de prazer. É uma dinâmica que favorece presença, sintonia e continuidade, elementos que muitas vezes passam despercebidos em posições mais complexas.
Há também um aspecto prático que pesa a favor dessa preferência. A facilidade para ajustar movimentos, intensificar ou desacelerar o ritmo e manter outras formas de contato, como toques e beijos, contribui para uma experiência mais integrada e menos fragmentada. Em contraste, propostas mais elaboradas podem exigir esforço ou atenção excessiva, o que acaba interferindo na conexão entre o casal.
Mesmo com comprovações científicas, existe a ideia de que a posição é básica ou entediante — o que a sexóloga e psicóloga Alessandra Araújo define como um dos maiores mitos da sexualidade. “Estamos vendo um resgate do que é essencial: a busca por presença. Em um mundo hiperestimulado, o tradicional se torna um refúgio de intimidade”, resume. “A preferência pelo tradicional revela que as mulheres buscam vínculo e segurança. No ‘papai e mamãe’, o corpo está totalmente exposto e próximo. Não é apenas sobre o ato físico; é sobre ser vista e sentir o peso e o calor do outro.”
Para a experiência sexual feminina, o cérebro é o principal órgão sexual, conforme a especialista. “Enquanto o estímulo físico (vibradores, posições acrobáticas) foca na mecânica, fatores emocionais ativam o sistema parassimpático, permitindo que o corpo relaxe o suficiente para atingir o orgasmo. O contato visual e o abraço durante a penetração inundam o sistema com ocitocina. Isso cria um ciclo de feedback: quanto mais conectada ela se sente, mais o corpo responde fisicamente ao toque”, defende.
Na prática clínica, Alessandra observa muitos casais exaustos tentando “zerar” o Kama Sutra, resultando em uma ansiedade de performance. “Mudar de posição a cada cinco minutos interrompe o fluxo de excitação e impede que a mulher atinja o platô necessário para o orgasmo”, contrapõe. “Dominar a conexão em uma ou duas posições permite que o casal explore nuances de ritmo, pressão e profundidade que a troca constante de posições impossibilita. O prazer real mora no detalhe, não na mudança de cenário.”
Além de favorecer o fluxo sanguíneo do clitóris, a posição é mais prazerosa para as mulheres por outros fatores. “Quando o corpo do parceiro está sobre o da parceira, a sínfise púbica (osso do púbis) dele pressiona diretamente o clitóris dela”, exemplifica a sexóloga.
Existe ainda a possibilidade da Técnica de Alinhamento Coital (CAT): uma variação do papai e mamãe onde o parceiro se posiciona um pouco mais acima, focando no movimento de “balanço” (moagem) em vez de estocadas profundas. “Isso maximiza o fluxo sanguíneo para o clitóris e as glândulas de Skene, facilitando o orgasmo através da fricção constante.”
Para turbinar a experiência tradicional, Alessandra sugere ajustes simples:
“O ‘papai e mamãe’ não é o básico; é o clássico por um motivo. Ele une a mecânica perfeita do corpo com a biologia da conexão emocional”, completa. Assim, reforça-se uma lógica menos performática e mais relacional: o prazer não está necessariamente na variedade de posições, mas na qualidade da troca que se estabelece durante o encontro.
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