“Inveja mata”, dizem os psicólogos. Com razão. Pra não dar chance ao azar, impõe-se prevenir. É o que fizeram certas cores. Loucas pra deitar na sombra e banhar-se na água fresca, as sabidonas lançaram mão de brincadeira pra lá de conhecida. Trata-se do esconde-esconde. Elas ocultam um pedacinho de si. Mas ele não some. Conta como se estivesse expresso.
Quem é? Quem é? Acertou. É o trio da cor de. Ele se faz de morto. Mas está vivinho da silva. Observe a artimanha: vestido (da cor da) rosa, vestidos (da cor da) rosa; calça (da cor da) laranja, calças (da cor da) laranja; terno (da cor da) cinza, ternos (da cor da) cinza; sapato (da cor da) cereja, sapatos (da cor da) cereja.
Superdica Cor-de-rosa se escreve com hífen. Cor de laranja dispensa o tracinho. Por quê? Trata-se de arte da reforma ortográfica. A lei cassou o hífen dos compostos de três ou mais palavras ligadas por preposição, conjunção, pronome. Daí por que pé de moleque, tomara que caia, mão de obra, bicho de sete cabeças ficam assim — soltas, sem lenço nem documento.
Exceção? Há duas:
1. compostos que pertencem ao reino animal ou vegetal escaparam da tesourada: joão-de-barro, cana-de-açúcar, castanha-do-pará, castanha-do-brasil, bicho-de-pé.
2. palavras referidas como exceção no texto da lei: cor-de-rosa, água-de-colônia, pé-de-meia (poupança).
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