Cosette Castro
Brasília – Nesta segunda-feira, 27, é comemorado o dia internacional da trabalhadora doméstica.
No Brasil, cerca de 6 milhões de pessoas realizam trabalho de cuidado doméstico e trabalho de cuidado de pessoas remunerado. A maioria são mulheres negras e 57% delas são chefes de família. Elas sobrevivem com baixos salários e poucos direitos sociais. Está mais do que na hora de reconhecer e respeitar o trabalho de cuidado profissional para que elas possam viver com dignidade e direitos garantidos.
A edição de hoje comenta o filme “Nosso Amigo Extraordinário”. Como falar de demência e solidão entre pessoas acima de 60 anos sem cair no drama, na tristeza do esquecimento ou na caricatura de uma comédia?
Este é o desafio de Marc Turtletaub, diretor do filme “Nosso Amigo Extraordinário” (2023). Se você ainda não assistiu, vale a pena. A história reúne três pessoas acima de 60 anos que vivem sozinhas. Elas se encontram em torno de um amigo comum: um pequeno alienígena. O filme de 1h30 está disponível no Netflix e mostra a sensibilidade do diretor ao tratar de temas difíceis. (Assista o trailer aqui)
Não é fácil lidar com a solidão no envelhecimento. Ou falar sobre ela. Muito menos com o adoecimento na velhice. principamente se a enfermidade vai aos poucos sequestrando a memória e a autonomia.
A obra nos apresenta o ativismo social de três pessoas idosas em uma pequena cidade na região oeste da Pensilvânia (EUA). É através da participação nas reuniões da Câmara Municipal que os vizinhos Milton Robinson (Ben Kingsley), Sandy (Harriet Sansom Harris) e Joice (Jane Curtin) se conhecem e compartilham a preocupação com o bem-viver na cidade. E também se interessam pela vida uns dos outros.
No filme o personagem de Ben Kingsley apresenta os primeiros sinais de demência. Um deles é guardar objetos em locais inadequados, como uma lata de feijão no armário do banheiro. Ou o jornal no congelador. Ele também começa a repetir as mesmas petições nas sessões da Câmara, algo comum entre pacientes com Alzheimer.
Milton Robinson (Kingsley) é um bom homem. Tem a companhia da sua solidão e das suas flores. E, eventualmente, da filha. Ele equilibra o cotidiano e uma rígida rotina entre o jardim, os programas de televisão e as atividades cidadãs. Ele sabe que está se perdendo. Mas não quer admitir nem para si nem para a filha. Não quer ter sua liberdade cerceada.
Sua vizinha Sandy (Harriet Sansom Harris) é uma viúva que reconhece os sintomas da demência. Ela resolve visitar o Sr. Robson. Já a terceira vizinha, Joice (Jane Curtin) quer saber o que os outros dois estão fazendo.
Há uma metáfora na visita do alienígena no filme. Ele não fala, não chama atenção e tem metade do tamanho dos adultos. É quase como uma criança que ainda não aprendeu a falar, mas se comunica pelos olhos.
A relação que se estabelece é quase filial. Jules (nome dado ao visitante) é “adotado” e protegido por Milton, Sandy e Joyce. Cada um a sua maneira. Ele é o filho que não faz contato, a filha que não visita e os filhos que não nasceram.
Apesar da presença funcional da filha de Milton, não há famílias no filme. A família afetiva vai se constituindo no decorrer da história. E comprova, através da ficção, que as relações de amizade podem ser mais amorosas e presentes que os laços sanguíneos. Principalmente em tempos de novos arranjos familiares e longevidade.
No filme de 2023 o alienígena de “Nosso Amigo Extraordinário” ganha uma família humana de pessoas idosas que passam a se ajudar e cuidar mutuamente. A leveza do filme reside em contar delicadamente pequenos momentos da história de cada personagem, a relação de cada um com o novo amigo e a rede de proteção mútua que estabelecem.
A leveza é uma constante, apesar da fragilidade que perpassa todo o filme. O filme mostra a importância de cultivar amigas e amigos presenciais. Sem preconceito. Eles nos possibilitam o convívio diário com a diversidade e o diferente.
PS: Nesta terça-feira, 27, das 19 às 20h, vai ao ar no Canal do Youtube Coletivo Filhas da Mãe o Programa de entrevistas TERCEIRAS INTENÇÕES. Com apresentação de Mônica Carvalho, o convidado do mês é o advogado e ex-cuidador familiar, Ademar da Costa Filho que vai falar sobre o pessoas vulneráveis e o sistema de justiça.
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