Cosette Castro, Juliana Lira, Larissa Carvalho & Mikaelly dos Santos
Brasília – No Dia Nacional de Atenção à Disfagia, 20/03, o Blog Coletivo Filhas da Mãe abre espaço para este problema de saúde ainda pouco conhecido entre a população.
Para escrever sobre o tema convidamos a fonoaudióloga e professora da UnB, Juliana Lira. Ela assina o texto junto com as alunas Larissa Carvalho e Mikaelly dos Santos.
Juliana Lira, Larissa Carvalho e Mikaelly dos Santos – “ 20 de março é uma data voltada para a conscientização sobre a dificuldade de engolir e os riscos que isso pode trazer à saúde. Embora o termo ‘disfagia’ ainda seja pouco conhecido pela população, o problema é bem mais comum do que se imagina e pode afetar pessoas de todas as idades.
A disfagia é o nome dado à dificuldade de engolir alimentos, líquidos ou até mesmo a própria saliva. Esse problema pode causar perda de peso, desidratação, infecções pulmonares e até levar à morte.
Diferente do que parece, pois é um ato que quase nem notamos, engolir é um processo complexo. Envolve a coordenação de vários músculos da cabeça e pescoço.
Quando esse processo não acontece de forma adequada, a pessoa pode apresentar sinais como engasgos frequentes, tosses durante a refeição, sensação de alimento parado na garganta e/ou não conseguir engolir certos alimentos.
Esse problema é mais comum em pessoas que têm doenças do sistema nervoso, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame; Doença de Parkinson ou os diferentes tipos de demências. Também pode ocorrer após cirurgias na região de cabeça e pescoço.
O processo de envelhecimento, quando não é bem acompanhado por equipes de saúde, pode afetar a musculatura envolvida na deglutição.
O engasgo é uma situação desagradável, mas a tosse que ele provoca é uma forma de o organismo expulsar a comida ou a saliva que entrou no lugar errado.
Algumas atitudes popularmente conhecidas devem ser evitadas, pois podem piorar a situação. Por exemplo, levantar os braços durante o engasgo pode facilitar a entrada de alimento nas vias respiratórias. Outras ações equivocadas incluem tentar beber água imediatamente ou recorrer a rituais e simpatias.
Quando alguém engasga, o primeiro passo é observar a gravidade da situação. Se a pessoa ainda consegue tossir ou falar, o ideal é incentiva-la a tossir com força, pois a tosse é um mecanismo natural de defesa do corpo.
Se a pessoa não consegue tossir, falar ou respirar, é necessário agir rapidamente.
As orientações atuais de primeiros socorros recomendam iniciar a ajuda com cinco golpes firmes nas costas. Caso o engasgo persista, devem ser realizadas cinco compressões abdominais, conhecidas como ‘Manobra de Heimlich’.
Essa sequência pode ser repetida até que o objeto seja eliminado ou até a chegada de socorro. Assista aqui um vídeo explicativo sobre como proceder em caso de engasgo.
Falar e escrever sobre disfagia é fundamental para ampliar o conhecimento da população sobre os sinais de alerta e as formas de prevenção. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.
O fonoaudiólogo é o profissional capacitado para avaliar e reabilitar muitos casos de disfagia. A partir da avaliação, é possível oferecer orientações, fazer adaptações e desenvolver estratégias que tornem a alimentação mais segura.”
Aproveitamos para lembrar que hoje é o dia das pessoas cuidadoras de pessoas idosas, a maioria mulheres negras. O cuidado não remunerado é invisivel e sobrecarrega física e mentalmente. E o cuidado remunerado é precario e também sobrecarrega. Precisamos construir juntas e juntos uma Sociedade do Cuidado com direitos e salários iguais e corresponsabilidade no cuidado.
PS: Neste domingo, 22/03, haverá a 2a. Caminhada com Desenho no Parque da Cidade. Local do encontro: estacionamento 07, nas árvores em frente à piscina pública, às 8h30. Depois da caminhada, a professora Jurema Oliveira oferecerá oficina de desenho na natureza. Não é preciso experiência previa. Lembre de levar algo para o lanche compartilhado. Evento aberto à comunidade. Confirme presença (61-999895808).

