Cosette Castro
Brasília – Essa é uma pergunta difícil, mas necessária. Ainda mais depois do estupro coletivo realizado em Copacabana por 04 jovens homens da classe média carioca com o auxílio de um adolescente de 17 anos.
É assustador observar como tudo foi planejado antecipadamente. Com requintes de crueldade. Eles escolheram por livre e combinada vontade machucar sexual, física e emocionalmente uma adolescente de 17 anos. E há denúncias de que este não teria sido o primeiro estupro coletivo dos acusados.
Em defesa dos filhos, muitas mães garantem que conversam com eles sobre (quase) todos os temas. E que repetem a todos que as mulheres merecem respeito. Alguns pais também dizem o mesmo.
Mas na prática a realidade é mais complexa. O filho homem cresce ouvindo o pai, o avô, o tio, fazendo “brincadeiras” machistas, desrespeitando e diminuindo diariamente as mulheres.
Escutam frases proferidas por homens adultos do tipo: “isso é coisa de vadia”; “elas precisam se colocar no seu lugar”. “Elas não podem ser tão livres assim”. Ou “É preciso dar um tranco para ela aprender”. É assim que a violência vai se naturalizando.
Meninos crescem observando o desrespeito também em outros espaços sociais. Como o de alguns professores cada vez que eles privilegiam um menino e calam uma menina. Ou de chefes de seus pais que tratam diferente os funcionários, oferecendo mais oportunidades para os homens. Alguns deles ainda assediam funcionárias.
O que você sabe sobre o que o seu filho vê, ouve e com quem conversa quando fecha a porta do quarto? Quando entra na internet? Quando participa de jogos online? De grupos de discussão de homens?
O que você sabe sobre as comunidades red pill? Sobre o discurso misógino de plataformas como “Discord”, “Reddit”, sobre o jogo Roblox e sobre a deep web?
Quem é o seu filho no espaço virtual?
Quais as combinações que ele concorda para ser aceito nos grupos em que participa? O que ele precisa provar nesses grupos para ser considerado “um homem”?
Quanto ele aceita machucar, humilhar, enganar, mentir, silenciar, subjugar para provar que é o mais forte? Para imaginar que assim estará no comando?
O que você sabe sobre seu filho depois que ele encontra os amigos, os colegas, a broderagem masculina? Depois que ele escuta desrespeitos e silencia, como aprendeu a fazer desde a infância?
Quanto de limite foi ensinado em casa para que o seu filho saiba a importância de respeitar e colocar limites, inclusive nas relações sociais com outros homens?
Vivemos em uma Sociedade da Violência, onde a maioria dos meninos são ensinados que podem tocar sem consentimento o corpo das meninas e das mulheres. Muitos aprendem isso dentro de casa. Eles passam a acreditar que os corpos femininos são objetos de sua posse. Ou são de “uso público”, como no caso do estupro coletivo. Não são.
Estupros não são casos isolados. Os agressores vivem perto. As vezes na vizinhança. As vezes dentro da própria casa. Não é por acaso que a cada 06 horas uma menina, adolescente, mulher jovem, adulta ou mulher idosa é estuprada no Brasil.
Isso é consequência de vários fatores: uma educação que permite a objetificação das meninas e mulheres; que confunde falta de limite com amor; que não delimita regras para as plataformas virtuais. E, principalmente, que se omite sobre direitos iguais, responsabilidade e respeito.
A Sociedade da Violência é consequência do silêncio dos homens, da broderagem. E também de algumas mulheres que, ao se colocarem do lado dos agressores, escolhem culpar as vítimas e perpetuar a violência.
PS: Neste domingo o Coletivo Filhas da Mãe convida as mulheres e suas famílias a participarem do ato em defesa da vida em segurança das mulheres. A partir das 13h no espaço Funarte, em Brasília, com oficina de cartazes.
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