Cosette Castro
Brasília – Ontem não teve tempo nublado, chuva miúda, nem a chuvarada que caiu em parte da Asa Norte, para desanimar a despedida do Carnaval 2026.
O tempo esteve fechado quase toda manhã e o sol só deu as caras por volta das 11 horas na quadra 205 da Asa Norte. Foi tempo suficiente para mais pessoas deixarem o medo da chuva para trás, vestirem suas fantasias para brincar e dançar antes de recomeçar “oficialmente” 2026.
Quem participa do Pós-Carnaval do Bloco Filhas da Mãe junto com o Bloco do RivoTrio e parceiros da saúde mental e da cultura sabe que a chuva não dura muito nessa época.
Em meio ao cortejo, foi possível esperar a chuva passar debaixo de árvores, das marquises e da passagem subterrânea de pedestre sob o Eixinho Norte. Ou comprar uma capa de chuva descartável contribuindo com o orçamento dos vendedores ambulantes que acompanhavam o cortejo.
Um cortejo livre, fora do limitado quadradinho do carnaval oficial de Brasília. No cortejo também estava presente o grupo de redução de danos do Coletivo Batê, com água e acolhimento, caso alguém precisasse. Nesse espaço de brincadeira e cuidado coletivo todos os corpos, raças e idades se encontram e são bem vindas.
É um cortejo que percorre as entranhas da Capital Federal. Todos os anos escutamos alguém dizer: “eu nunca tinha passado a pé por aqui”. Brasília é nossa, a céu aberto, para ser ocupada por pés, bicicletas, bengalas, muletas e cadeiras de rodas. E não apenas por carros e ônibus.
Com ou sem chuva, é um espaço de encontro de pessoas e fanfarras, com suas apresentações burlescas e pernas de pau . É espaço de confete, serpentina e bolinhas de sabão para todas as idades.
É também o lugar de desfile dos bonecos gigantes do Bloco do RivoTrio, com o Louco do tarô, representando a luta antimanicomial, e do Bloco Filhas da Mãe, com a Cuidadina. Ela é uma dinossaura que cuida sem remuneração desde a pré-história e contribui para questionar a invisibilidade das mulheres que cuidam familiares (veja vídeo Aqui)
Enquanto isso, seguimos na campanha em defesa da vida em segurança das meninas e mulheres para que vivam sem risco de qualquer tipo de violência.
Seja ela a violência vicária, como aconteceu em Goiás onde Tales Machado assassinou os dois filhos, de 08 e 10 anos, para punir a ex-mulher. Ou a violência institucional, como ocorreu no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) onde os magistrados inocentaram um homem de 35 anos que estuprou uma menina de 12 anos. Mesmo sendo considerado crime hediondo na legislação brasileira.
PS: Agradecemos as fotos e vídeos de Natan Silva nesta edição. Veja as fotos e vídeos do Pós-Carnaval 2026 no álbum compartilhado (Aqui).



