Cosette Castro
Brasília – O dia após o Esquenta Carnaval do Bloco Filhas da Mãe é sempre um dia de gratidão. Foi um encontro lindo no Beco da Infinu, na Asa Sul, em Brasília, reunindo diferentes gerações para brincar e celebrar a vida, apesar dos desafios das doenças, das deficiências e da idade.
Mesmo a chuva, que teimou em participar da festa no começo do domingo, dia 08/02, abriu caminho para o sol e para a alegria.
Mesmo o chão molhado não impediu a brincadeira, a dança nem as incríveis apresentações da fanfarra anticapacitista Me Chame Pelo Nome, que além da música, trouxe uma trupe com apresentações burlescas.
No Coletivo Filhas da Mãe defendemos que o “Normal É Ser Feliz”. E levantamos bandeira em defesa, dentro e fora do carnaval. E isso faz toda diferença na forma como lidamos com as adversidades cotidianas.
Tivemos a apresentação da nossa mascote a Cuidadina, uma dinossaura que cuida familiares sem remuneração desde a pré-história. Tirar as cuidadoras familiares da invisibilidade e denunciar o trabalho de cuidado familiar e doméstico gratuito, assim como a sobrecarga física e emocional que adoece as cuidadoras familiares, faz parte da atuação do Bloco Filhas da Mãe. Brincamos, mas sem esquecer Quem Cuida de Quem Cuida.
Depois chegou a fanfarra Capivareta Repercussiva. Como acontece há 03 carnavais, foi emoção na veia. E, pessoalmente, a volta da memória afetiva dos carnavais de rua que participei quando era criança em Pelotas (RS) com meus pais e outros familiares. Quando saíamos com os blocos de carnaval de rua fantasiadas, inclusive as crianças.
Durante a apresentação da Capivareta Repercussiva nem lembrei que sou Psicanalista, Jornalista e Pesquisadora. Nesse momento, sou apenas foliã. Talvez esse relato pessoal ofereça a dimensão da magia das fanfarras de Brasília que mostram que existem vários tipos de carnaval na Capital Federal.
Uma das partes mais divertidas do Esquenta Carnaval do Bloco Filhas da Mãe é cantar a marchinha “Ninguém Solta a Mãe de Ninguém”, criada em janeiro de 2020 pelo músico e pesquisador André Barbosa Filho.
É divertida e emocionante. Não temos tempo de ensaiar e nos reunimos na hora para cantar duas vezes ao ano. Além disso, distribuímos a letra da marchinha para o público e para as fanfarras, solicitando que cantem com a gente. Conheça no álbum compartilhado abaixo.
Convidamos as pessoas presentes a desafinar com a gente enquanto cantamos a marchinha. Nada de esperar um momento perfeito, de coral ou vozes maravilhosas.
Somos apenas vozes de pessoas que cuidam ou já cuidaram um ou mais familiares e que acreditam na possibilidade de construir cotidianamente uma Sociedade do Cuidado. Uma sociedade que acolhe vozes diferenciadas, pois tudo é possível no carnaval. Inclusive acolher amorosamente a imperfeição.
Conheça aqui o álbum compartilhado do Esquenta Carnaval 2026 onde construímos memórias coletivas.
PS: Para além da brincadeira, o Coletivo Filhas da Mãe colocou uma banca no Esquenta Carnaval para vender os adereços de carnaval elaborados nas oficinas Pré-Carnaval e também para vender camisetas. Apoie o Coletivo Filhas da Mãe. Informações sobre valores e envio para todo Brasil com Celia Neves (celular/pix 61-999062771).
PS 2: Marque na Agenda: No dia 22/02, no domingo Pós-Carnaval, o Bloco Filhas da Mãe estará no Mimo Bar (Quadra 205), na Asa Norte. Desta vez em parceria com o Bloco do RivoTrio e demais blocos da saúde mental do DF.


