Cosette Castro
Brasília – Hoje acordei com a boca cheia de perguntas. Essas perguntas dizem respeito à violência contra às meninas e mulheres que seguem ocorrendo.
As perguntas ocorrem na semana seguinte à lavagem da Basílica de N. Sr. do Bonfim, na Bahia, onde ocorreu ampla campanha para combater a violência contra as mulheres.
Enquanto isso, no Distrito Federal a violência contra as meninas e mulheres voltou a imperar.
Neste fim de semana, um homem foi denunciado e preso por tentar estuprar e por matar estrangulada a enteada de 14 anos. O feminicídio aconteceu no domingo (18/01) em um condomínio de Planaltina. (Saiba mais aqui).
Este não é o primeiro estupro do homem de 29 anos. É o terceiro. Em 2019 ele foi denunciado por estuprar uma menina de 11 anos. E, em 2023, por estuprar a própria mãe.
A pergunta que não quer calar é: por que o acusado, com esse histórico, não estava preso, sem direito a saídas e outras prerrogativas legais?
No Brasil, o estupro é considerado um crime hediondo, de acordo com a Lei nº. 8.072/90. Isso implica penas mais severas, inafiançabilidade e restrição de benefícios penais. O mesmo ocorre quando se trata de estupro contra vulneráveis que também é crime hediondo e aparece no Artigo 217-A do Código Penal.
Mas como esse homem desfrutou do direito a estar nas ruas, se ele representa e um perigo às meninas e mulheres e um insulto às vítimas? Sigo com a boca cheia de perguntas.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro 803 blocos estão oficialmente inscritos para o Carnaval 2026. Eles contam com o apoio do governo do Rio de Janeiro para garantir a brincadeira pelas ruas da Capital carioca com respeito. Entre as atividades em defesa das mulheres está a campanha contra o assédio, mais conhecida como “Não é Não”, através de tatuagens temporárias e distribuição de leques.
No Distrito Federal, ao contrário, o governador Ibaneis Rocha e sua vice, Celina Leão, mais uma vez mostram que odeiam carnaval, como têm acontecido em anos anteriores. Não respeitam os grupos carnavalescos nem quem gosta da folia e da alegria do carnaval.
Apenas 73 blocos foram oficialmente selecionados para o Carnaval 2026 e a verba, como ocorreu no ano passado, quando é liberada, demora a sair. Além disso, a política de Carnaval no Distrito Federal é voltada para cercear e engessar os blocos, impedidos de realizar brincadeiras pelas ruas.
As dificuldades são tantas que um dos blocos mais tradicionais da Capital Federal, o Bloco Divinas Tetas, com 10 anos de existência, desistiu de sair às ruas em 2026. Uma lástima. Precisamos de todos os blocos, com suas diversidades, nas ruas da Capital e não presos em cercadinhos.
Já o Bloco Filhas da Mãe segue na informalidade. Acreditamos que o carnaval é um espaço importante para estimular o direito à alegria e à brincadeira em meio aos desafios do cuidado.
Neste momento estão sendo organizadas cinco oficinas gratuitas de Samba no Pé que vão ocorrer entre a última semana de janeiro e na primeira semana de fevereiro no Centro Longeviver (Quadra 601 Sul). E uma oficina de adereços que vai acontecer nos sábados dias 31/01 e 07/02 na loja colaborativa Pé de Meia (Quadra 411 Sul).
Marque na agenda. Domingo, 08/02, vai acontecer o Esquenta Carnaval das Filhas da Mãe 2026 no Beco da Infinu (quadra 506 Sul), das 14 às 17h, com a presença já confirmada da fanfarra Capivareta Repercussiva.

