Ana Castro, Cosette Castro & Convidada
Brasília – Na semana dedicada à pessoa idosa no Brasil, nos deparamos com um cotidiano de idadismo, etarismo e ageismo. Os três termos são usados para tratar do preconceito contra as pessoas a partir de 60 anos.
Este preconceito começa com os cabelos brancos, com os primeiros pés de galinha e rugas e se amplia pelo menos 10 anos antes, aos 50 anos. No mundo do trabalho, aparece com a redução drástica de oportunidades laborais no mercado.
Boa parte das pessoas idosas segue saudável, faz exercícios, cuida da alimentação, tem projetos pessoais, possui amigos e atividades de lazer.
Apesar de terem netos, sabem que a vida vai além do papel de avô ou avó. A boa notícia, apesar do crescente empobrecimento do país, é que, com a ajuda da ciência, os netos e avós podem desfrutar da companhia um dos outros por muito mais tempo.
No Projeto Histórias da Memória desta segunda-feira, a convidada é a designer Cristiana Freitas, cuja mãe Maria Catarina Machado de Freitas, Dona Cati, 86 anos, tem Alzheimer.
Cristiana Freitas – ” Mamãe fala sempre que vem de uma família de músicos. Seu pai, violinista, farmacêutico de profissão, ganhou os primeiros contos de réis tocando no interior de Goiás, Jaraguá, em cinemas, de frente para o público e de costas para o filme, que era mudo na época.
Ela cresceu em meio ao ensaio e reza diários do pai, das serestas e bailes.
Hoje, só de ouvir o toque do celular, Mamãe já começa a batucar e, como outras pessoas com demência, nos surpreende com histórias e músicas que nunca ouvimos ela cantar antes.
Ela fica confusa com a televisão, que trouxe ” muita gente estranha” para dentro do seu quarto. Gente que nem a cumprimenta, nem olha pra ela, mas leva a orquestra, o balé e a música. Na cama, ela conta:
Olha só, tem muita gente aqui, vem ver!
O neto Gabriel Grossi tocando Marina, música que leva o nome de sua mãe, a filha mais velha de D. Cati.
Ela possui uma alegria de viver contagiante e atrai amigos fiéis que a acompanham mesmo na doença. Parentes longínquos que sempre falam com muito carinho sobre ela e fazem questão de vê-la em datas como o aniversário, 12 de outubro.
Desse legado musical vem o neto Gabriel Grossi, reconhecido internacionalmente, os sobrinhos Sílvio, Júnior, Berta Lúcia, Antônio, Normani Filho, e tantos outros que cresceram com música em casa.
Não só a música, mas também a dança ficou mais presente com a doença. Ao ver a sala ampla do apartamento, Mamãe comenta: boa pra fazer um baile.”
Em tempo: Agradecemos a Gabriel Grossi por autorizar a divulgação do vídeo.
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