Uma Série Que É Puro Cuidado

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Ana Castro, Cosette Castro & Convidad@s

Brasília – Mais uma vez o Blog Coletivo Filhas da Mãe abre seu espaço para convidad@s, pois acreditamos que este é um espaço democrático, aberto a muitas vozes. Desta vez  a convidada, além de apoiadora,   caminha do nosso lado. Trata-se de   Carmensita Corso, jornalista e colaboradora do Filhas da Mãe no Twitter.

Carmencita Corso – O cuidado transforma e salva. Mesmo quando o amor não é externado com um abraço carinhoso. É o que mostra a série coreana “Navillera“. Pedi licença pra Ana Castro e a Cosette Castro para usar esse espaço do Filhas da Mãe porque me encantei com a série e acho que compartilhar minhas impressões pode estimular o cuidado.

Eu já havia passado várias vezes pela série. Nunca me interessei. Mas os algoritmos da Netflix, não esqueceram de mim. E insistiram. Comecei a assistir sem qualquer entusiasmo, mas fui capturada no primeiro episódio. Navillera conta a história de dois coreanos.  Chae-rok, um jovem bailarino de 23 anos, atrás do sonho de voar alto. E Deok-chul, um carteiro aposentado de 70 anos querendo realizar o sonho da criança de 9 anos que se encantou com o Lago dos Cisnes visto através de uma janela. O desejo de voar com sapatilhas, foi negado pelo pai, mas não morreu. Aposentado,  resolve procurar alguém que lhe ensine a dançar.

É incrível a mudança que acontece com a aproximação dos dois. Não só com eles, mas com todos os envolvidos na história de cada um. Na Coreia do Sul, como em outros países orientais, o respeito pelos mais velhos e a referência a todos é ensinada desde cedo. Mas o que é uma característica bem brasileira, o aconchego, o abraço, o beijo em qualquer hora e lugar, não fazem parte daquela cultura.

À medida que os episódios se sucedem, que o carteiro aposentado avança no aprendizado, dá seus passos de balé cada vez mais perfeitos, mesmo com as dificuldades da idade, a proximidade e cumplicidade dos dois também aumenta. Muito. Convivem, ajudam um ao outro, solucionam juntos os problemas que vão surgindo. Até que a dança deixa de ser apenas o sonho de duas gerações e se transforma em cuidado.

Sem querer dar spoiler, mas já querendo, um dia o bailarino mais velho esquece no estúdio a caderneta onde dizia anotar o dia-a-dia do jovem professor e passos do balé. Chae-rok passa os olhos na caderneta e quando abre na primeira página encontra a identificação do dono – foto de Deok-chul, nome completo endereço, e uma observação que muda o rumo da história. O sonho dos dois continua o mesmo, mas o cuidado ocupa o lugar principal no palco.

Mais não vou contar pra que você, se assistir, sinta o que senti. Uma vontade imensa de ver os dois se abraçarem nos momentos difíceis. Pelo menos se tocarem. Aliás, não só eles, mas todos que participam da série. Aquela vontade que a gente tem de aconchegar pra apoiar é forte, mas a ausência do carinho físico não desqualifica o cuidado. Pelo contrário, fortalece. Me fez lembrar de um trecho de uma música do Caetano que gosto muito – “quando a gente ama, é claro que a gente cuida…”

Invista um tempinho. Garanto que vale a pena.

Cosette Castro

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