Governador Rodrigo Rollemberg na luta pelas comissões - supersalários
Rollemberg Crédito: André Violatti Governador Rodrigo Rollemberg na luta pelas comissões - supersalários

Sem acordo nacional, Rollemberg pode ter dificuldade para fechar aliança com PDT

Publicado em CB.Poder

O acordo nacional firmado ontem entre PSB e PT, que impõe neutralidade dos socialistas no 1º turno, tem impacto direto na disputa pelo GDF. Pré-candidato à reeleição, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) trabalhou, por meses, para viabilizar o apoio da sigla ao presidenciável Ciro Gomes (PDT). Como contrapartida, ganharia o suporte de pedetistas de Brasília na campanha e mais 20 segundos de propaganda gratuita na tevê e no rádio por bloco. O novo arranjo político, no entanto, deixa mais distante a aliança desejada pelo chefe do Palácio do Buriti para a capital. Sem o acerto com o comando nacional do PDT, ele terá dificuldades para driblar a resistência de integrantes do partido no DF, que deixaram a base aliada em outubro (leia Relação Estremecida).

 

Para ter validade, o acordo com os petistas precisa ser sacramentado na convenção do PSB nacional, agendada para o próximo domingo. Inicialmente, o PT deve agir para favorecer os socialistas em quatro estados. Um deles é Pernambuco, onde a sigla sacrificou a candidatura ao governo da vereadora Marília Arraes, em benefício da reeleição de Paulo Câmara (PSB). Em Minas Gerais, a exemplo de outras unidades da Federação, o acerto é inverso: Márcio Lacerda (PSB) desistirá da disputa para apoiar Fernando Pimentel (PT) na corrida por um novo mandato. O DF não estava na mesa de negociação.

 

Lutando para ampliar a base de apoio, Rollemberg lamentou a possível neutralidade. “O PSB terá papel secundário nesta eleição presidencial, ou melhor, não terá papel nenhum”, afirmou. Para o socialista, no entanto, a conjuntura não inviabiliza a aliança com pedetistas na capital. Ao Correio, o governador adiantou que manterá o palanque eleitoral a Ciro Gomes e que voltará a oferecer uma vaga do Senado à sigla. “Aguardamos uma decisão do PDT”, disse. A convenção pedetista está marcada para sábado.

 

Nos últimos dias, Rollemberg havia recebido sinalizações positivas de Ciro e Carlos Lupi, presidente nacional do PDT. Em conversa com a reportagem, Lupi disse, na segunda-feira, que o socialista era “o melhor nome” para comandar a capital nos próximos quatro anos. Na terça-feira, o governador reuniu-se com dirigentes da legenda, em Brasília, e recebeu três exigências para a efetivação da coligação: o apoio nacional a Ciro, um espaço na chapa majoritária e a participação do partido na elaboração do plano de governo. Agora, resta ao PDT definir se, apesar do revés nacional, dará suporte aos candidatos a governos estaduais que, em meio à neutralidade, defenderem a candidatura do presidenciável pedetista.

 

Pré-candidato do PDT ao Buriti, o ex-distrital Peniel Pacheco afirmou que aguarda o posicionamento nacional da sigla para definir os rumos da campanha. “Como o PSB não deu a palavra final, aguardamos orientação do comando. Mas, caso seja confirmado no domingo, o acerto afasta uma eventual aliança e dá fôlego à nossa candidatura própria, que sempre foi o plano A”, pontuou.

 

Sem o PDT, Rollemberg fica estagnado em 48 segundos em cada bloco de 9 minutos de propaganda eleitoral, pois tem ao seu lado apenas PV e Rede. Com os pedetistas, o socialista chegaria a 1 minuto e oito segundos. A diferença não é expressiva. No entanto, na concepção do meio político, qualquer acréscimo de tempo de tevê e rádio vale ouro para o chefe do Buriti, que terá de se defender de críticas de cerca de 10 chapas de oposição, justificar atos da gestão e detalhar o programa de governo.

 

Caso deixe de fechar aliança com o socialista, o PDT tem quatro opções na capital: lançar candidatura própria; integrar a chapa capitaneada por Cristovam Buarque (PPS), que apoia o nome de Joe Valle (PDT); unir-se ao PT, que deve procurar o partido para o diálogo; ou se aproximar de Ibaneis Rocha (MDB), com quem manteve conversas.

 

Influência nacional

 

Além do PDT, outras siglas aguardam sinalizações do comando nacional para se certificarem do futuro eleitoral. O deputado federal Izalci Lucas (PSDB) anunciou, na terça-feira, que disputará o Senado na chapa encabeçada por Alberto Fraga (DEM). Mas os rumos da candidatura do tucano podem mudar. Pelo menos duas coligações recorrem à Executiva nacional do PSDB para atrair a legenda, que dispõe do terceiro maior tempo de propaganda eleitoral.

 

Presidente regional do PTB e vice na coalizão de Eliana Pedrosa (Pros), o ex-distrital Alírio Neto pretende viajar a São Paulo para, ao lado do presidente nacional petebista, Roberto Jefferson, tentar convencer Geraldo Alckmin (PSDB) a direcionar o apoio do tucanato à sua chapa. O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também pressiona Alckmin. Ele cobra o cumprimento do acordo nacional firmado pelos dois. Conforme o acerto, pessedistas o apoiariam na corrida pelo Palácio do Planalto em troca do suporte do PSDB a alguns candidatos a governos estaduais, como Rosso.

 

O comandante nacional do PP, Ciro Nogueira, deve bater o martelo sobre a coligação da qual o partido fará parte. Hoje, a sigla está ao lado de Ibaneis Rocha numa chapa com MDB e Avante. Mas integrantes da legenda também consideram compor com Alberto Fraga, deputado federal mais votado em 2014. O argumento é de que o democrata tem mais chances de vitória que o emedebista, uma vez que, numa campanha curta, ter o nome conhecido na capital torna-se uma grande vantagem. A terceira opção, considerada inviável por muitos, é unir os grupos. O assunto será discutido com Ciro hoje durante a convenção do PP.

 

>> Os trunfos dos partidos cortejados

 

A movimentação de três partidos, guiada pelos comandos nacionais, pode mudar os rumos de algumas chapas na capital. Entre o que as siglas tem a oferecer, estão nomes de fôlego para candidaturas majoritárias e proporcionais ou expressivo tempo de tevê.

 

PP

Tempo de propaganda eleitoral: 36 segundos

Candidato a majoritária: Anna Christina Kubitschek

Candidatos a deputados federais: Celina Leão e Olair Francisco

Data da Convenção: 5 de agosto

Caminhos possíveis: Permanecer na chapa encabeçada pelo advogado Ibaneis Rocha (MDB); migrar para a coalizão de Alberto Fraga (DEM); viabilizar a união entre os dois grupos políticos.

 

PDT

Tempo de propaganda eleitoral: 20 segundos

Candidatos a majoritária: Peniel Pacheco e Joe Valle

Candidato a deputado federal: Fábio Barcelos  

Data da Convenção: 4 de agosto

Caminhos possíveis: Manter a candidatura de Peniel Pacheco ao GDF; migrar para a chapa do PT; firmar união com a chapa capitaneada por Rogério Rosso (PSD) e Cristovam Buarque (PPS); participar da chapa de Ibaneis Rocha (MDB).

 

PSDB

Tempo de propaganda eleitoral: 53 segundos

Candidatos a majoritária: Izalci Lucas

Candidatos a deputados federais: Não há prioridade

Data da Convenção: 5 de agosto

Caminhos possíveis: Permanecer na chapa encabeçada pelo advogado Ibaneis Rocha (MDB); voltar para o grupo comandado por Rogério Rosso (PSD) e Cristovam Buarque (PPS); integrar a frente encabeçada por Eliana Pedrosa (Pros).

 

>> Calendário eleitoral

 

5 de agosto: Último dia das convenções partidárias, quando as siglas definem candidaturas

15 de agosto: Fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas

16 de agosto: Início da propaganda eleitoral

31 de agosto: Início da propaganda eleitoral no rádio e na tevê

7 de outubro: Primeiro turno das eleições

28 de outubro: Segundo turno das eleições

 

>> Relação estremecida

 

A relação entre as regionais do PSB e do PDT começou a estremecer em dezembro de 2016. À época, o governador Rodrigo Rollemberg escolheu apoiar Agaciel Maia (PR) à presidência da Câmara Legislativa, em vez de Joe Valle (PDT). Por critérios de desempate, o pedetista venceu a disputa à contragosto do socialista. Meses depois, em setembro de 2017, o chefe do Palácio do Buriti exonerou dezenas de comissionados de Reginaldo Veras (PDT), após o distrital anunciar posição contrária à reforma da Previdência, aposta do Executivo local para tirar os caixas do DF do vermelho. A ação foi o estopim para a troca de farpas. Em outubro daquele ano, o PDT rompeu com a base e colocou à disposição do comandante do GDF os cargos preenchidos por indicações políticas. Os parlamentares da legenda passaram a fazer ferrenha oposição e, nos últimos tempos, pressionaram a Executiva Regional da sigla a buscar outras composições para o pleito de outubro.

6 thoughts on “Sem acordo nacional, Rollemberg pode ter dificuldade para fechar aliança com PDT

  1. Matéria do cb de ontem, negócios pagina 5, petroleira confirma interesse no Brasil. os Portuguses roubaram todo o ouro do Brasil no periodo colonial e agora levam o petrolio e o que é pior com a conivencia do Governo, o Brasil é mesmo uma carniça…..

  2. O jornal Estado de São Paulo faz uma análise que eu já venho falando há mais de 30 dias. Também falei que na minha opinião o Ciro Gomes seria o menos prejudicado com a aliança PT/PSB. Eu só não previ quem seria o beneficiado com isso. Diz o jornal: “O arranjo entre petistas e socialistas não foi simplesmente uma derrota para Ciro, mas pode se transformar numa importante vitória para Geraldo Alckmin. O tucano assiste tranquilamente seus principais rivais à esquerda se digladiarem e perderem força num processo eleitoral em que a unidade é crucial para a viabilização de qualquer candidatura”. Era isso que eu sempre falei: enquanto a esquerda briga feio, os candidatos a direita poderiam ser beneficiados. É aquele velho “tal de projeto de poder do PT”. O PT não abre mão de nada, Sempre foi assim e sempre será. Além do mais sempre joga sujo, todo mundo sabe disso. E o PSB será o mais prejudicado. Guardem o que eu to dizendo.

  3. Ué, ele precisa fazer acordo com mais alguém depois de ter feito acordo com o capeta? Vendeu a alma pro diabo e virou o próprio capiroto! Vade retro!!!

  4. Agora é hora de #GeraldoPresidente. O mais preparado pra colocar o Brasil nos eixos e devolver o crescimento. Já fez muito por SP e vai fazer mais ainda pelo Brasil

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