Crédito: Alexandre de Paula
Crédito: Alexandre de Paula Crédito: Alexandre de Paula

Produtora do Na Praia é investigada por organização criminosa e lavagem de dinheiro

Publicado em CB.Poder

ALEXANDRE DE PAULA

Organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato contra a administração pública são os crimes investigados pela Operação Praia de Goa da Polícia Civil do DF,  que cumpriu 15 mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (18/9) para apurar irregularidades em eventos da produtora R2, que organiza os eventos Na Praia e Carnaval no Parque.

 

De acordo com as investigações —  a cargo da Divisão de Repressão à Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap) da Coordenação de Combate ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e contra a Ordem Tributária (CECOR) —, a R2 utilizou benefícios da Lei de Incentivo à Cultura para bancar os eventos privados, com alto potencial lucrativo. O Ministério Público do DF (MPDFT) também acompanha as investigações, que tiveram início em 2016.

 

Segundo os indícios, a produtora praticou irregularidades na captação de recursos para cinco eventos de caráter social. Os cerca de R$ 3,7 milhões obtidos pela R2 entre 2016 e 2017 deveriam ser usados apenas para as edições do Na Praia Social, Na Praia Cultural e do Parque da Alegria (ligado ao Carnaval do Parque). O dinheiro, no entanto, era utilizado para custear a estrutura dos eventos particulares, como shows, que cobravam ingressos ao custo de, em média, R$ 300.

 

“Verificamos que houve indícios do uso do recurso público para cobrir os custos de eventos particulares. As investigações mostram também que sócios da empresa atuavam como funcionários para receber altos salários nos eventos sociais”, explicou o delegado da  Divisão de Repressão à Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap) Wenderson Telles.

 

Além disso, a R2, segundo a apuração, superfaturava o custo das estruturas utilizadas nos eventos beneficiados pela Lei de Incentivo à Cultura. Os geradores usados, por exemplo, eram 59% mais caros do que o valor de mercado praticados pela mesma empresa, de acordo com a investigação.

 

“O que era feito é que a maior parte do dinheiro captado era usado para pagar uma estrutura que já estava lá. Se havia cinco dias de evento privado, apenas um era para o evento social e os gastos com a estrutura eram descontados dos valores captados pela Lei de Incentivo”, explicou Wendell.

 

Órgãos públicos

 

Os 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro órgãos públicos, em duas empresas e em nove residências. As Secretarias de Cultura e de Esportes, além das administrações regionais de Brasília e do Lago Norte, foram alvo das devassas para a coleta de documentos. “A intenção é evitar que os processos relacionados ao caso sejam adulterados”, explicou o delegado.

 

Esta fase da operação não investiga servidores públicos, mas a PCDF acredita que o caso pode chegar a agentes do estado. “Vamos apurar se não há servidores envolvidos. As investigações mostram que projetos semelhantes não foram aprovados no mesmo período em que os da R2 foram”, disse o delegado Maurílio Coelho, também da Divisão de Repressão à Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap). Segundo os policiais, chama a atenção o fato de uma comissionada da Secretaria de Cultura, cujo nome não foi revelado, ter passado a trabalhar na produtora.

 

Outro lado

 

Em nota, a R2 contestou as acusações. “A R2 produções manifesta absoluta surpresa e incompreensão diante da desproporcional medida anunciada na manhã desta terça-feira (18). A empresa jamais foi chamada a prestar qualquer tipo de esclarecimento e nenhum dos sócios foi instado a dar informações. Todos os documentos relativos aos projetos da empresa são públicos e sujeitos a qualquer tipo de apuração. As prestações de contas dos empreendimentos atendem ao calendário legal e não há pendências em relação às mesmas. A empresa reitera a integral lisura de suas atividades, sua postura colaborativa com a justiça e demais instituições e permanece à disposição para ajudar na elucidação deste ou de qualquer outro procedimento”, diz o texto.

21 thoughts on “Produtora do Na Praia é investigada por organização criminosa e lavagem de dinheiro

  1. Sempre fiquei com o pé atrás…
    O acesso à esse evento era só p elite do DF…
    Nunca apresentou caráter de “evento social”.
    Eu mesmo não gastei R$1,00… #justica

    1. Justiça não vai rolar, já viu alguém ser condenado e privado de liberdade por que se envolveu com grana pública? Infelizmente esse é o histórico.

    1. Falta o povo ter mais consciência e não ser tão conivente e pagar… Sem desespero pra festa… E ano que vem ou este mesmo se tiver outra festa absurda DE CARA, será que o povo não pagará de novo?! DU VI DO…
      PEGAR 100 REAIS PARA COMPRA DE CESTA BÁSICA, SERÁ QUE O POVO FAZ?

    1. qual foi a parte de que o recurso veio de cofres públicos que vc não entendeu ? Justamente por isso, dinheiro público não deve ir para esse tipo de atividade em parceria público-privada. Quer fazer evento ? capte recurso privado, não público. Se desviarem, é recurso privado, não público. Sei lá, as vezes acho que esquerdista tem problema cognitivo severo.

  2. ate eu que sou mais besta já tinha percebido a desproporção disso tudo, nem precisa ser muito inteligente…e essa lei de incentivo encheu o rabo desse pessoal de grana…uma mae…

  3. Esse evento “Na Praia” nunca foi social. Durante todos os eventos realizados, sempre foram cobrados ingressos. Teve uma vez que eu queria conhecer e tive uma surpresa com valor do ingresso (que chegou na faixa de R$ 300,00) desistir na hora de pagar. Agora, faz todo o sentido desse “evento” ser bastante caro.

  4. A corrupcao se espalhou como a peste negra e Brasil esta’ coberto por uma espessa nuvem escura inpedindo decencia de respirar. Cada um tem que fazer a sua parte para sair da podridao. Nao sei como podem viver com a consciencia tao deturpada.

  5. Brasiliense reclama… reclama e reclama, mas sempre está disposto a pagar qualquer valor em uma festa só para aparecer e tirar foto!!

  6. Evento social cobrando R$ 300 reais em um show e utilizado estrutura paga com dinheiro público…
    Quem endossou isso foi o Rollemberg.
    O governo desse homem é MALDITO. Falta água, viaduto cai, Vicente Pires destruído, segurança pública em colapso…

  7. Não fui a Praia este ano e nem ano passado, que bom saber que não participei de “laranja”…
    Discordava dos preços abusivos, não concordo, não pago…

  8. DINHEIRO DO GOVERNO PARA VER SAFADÃO E DEMAIS?!
    CADÊ A DESTINAÇÃO CORRETA DO DINHEIRO PÚBLICO? RESPEITO COM OS DOENTES? OS HOSPITAIS PÚBLICOS?!
    POR ISSO E TANTAS CORRUPÇÕES DO POVO E DO GOVERNO QUE BRASÍLIA E O BRASIL ESTÁ ASSIM…
    “TIRO MEU CHAPÉU” À CATEDRAL DE BRASÍLIA QUE ARCA COM TODAS AS FESTAS DE NOSSA SENHORA APARECIDA, SEM NENHUMA VERBA PÚBLICA, SEM DINHEIRO DO GOVERNO, DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO… O MUNDO PRECISA DE BONS EXEMPLOS!
    ERA NÍTIDO O PREÇO ABSURDO, MAS TEM QUEM PAGA MESMO SEM TER CONDIÇÕES E COMIDA EM CASA…
    PELO AMOR DE DEUS, PAREM DE VIVER AS CUSTAS DO GOVERNO E FIM AO “PÃO E CIRCO”
    ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Panem_et_circenses ).

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