ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL
À Queima Roupa
Luiz Pitiman (PSD), candidato a vice-governador na chapa de José Roberto Arruda (PSD)
“Nossa intenção é apresentar propostas objetivas, com metas e capacidade de execução. Quando houver crítica, que seja sobre decisões administrativas, resultados e projetos, nunca pela agressão pessoal”
Depois de anos fora de um cargo eletivo, o que motivou o senhor a aceitar o convite para ser vice na chapa de José Roberto Arruda?
Eu nunca deixei de acompanhar Brasília e de acreditar na política como instrumento de transformação. Depois de alguns anos na iniciativa privada, entendi que minha experiência poderia novamente contribuir com a cidade. Fui presidente da Novacap, secretário de Obras, deputado federal, coordenei por três anos a bancada do DF no Congresso e Presidente da Frente Parlamentar de Gestão Pública. Essas experiências me fizeram conhecer profundamente Brasília, suas cidades, seus problemas e, principalmente, as necessidades da população. Aceitei o convite do Arruda e do PSD, porque acredito em um projeto com capacidade de gestão e execução. Não estou voltando por um cargo, mas pela oportunidade de contribuir para que Brasília retome um ciclo de desenvolvimento, eficiência e cuidado com as pessoas.
Qual será o seu papel em um eventual governo? Pretende atuar como um vice mais administrativo, político ou com agenda própria?
Vice-governador não deve disputar espaço com governador. Tem que somar. Pela minha experiência, naturalmente posso contribuir muito na área administrativa, na gestão e na relação com o setor produtivo, especialmente em temas como desenvolvimento econômico, geração de emprego, atração de investimentos e melhoria do ambiente de negócios. Mas essa definição será construída conjuntamente. Se formos eleitos, haverá um único governo e um único projeto. Quero ser um vice presente, que ajude a resolver problemas e que esteja disponível para as missões que o governador entender necessárias.
A viabilidade jurídica da candidatura de José Roberto Arruda desperta opiniões bastante divididas. Acredita que ele realmente vai conseguir o registro na Justiça Eleitoral?
Acredito, sim, sem dúvidas, na viabilidade jurídica do registro da candidatura do Arruda. Essa convicção está baseada na legislação vigente e nas análises jurídicas que temos hoje.
A escolha do seu nome para vice desagradou o ex-senador Gim Argello, presidente do Avante, que queria indicar o filho Jorge Argello para o cargo. Como fica a coligação?
Eu respeito muito o Gim, o Avante e também o Jorge. É natural que, durante a construção de uma chapa, partidos apresentem nomes, defendam posições e busquem espaço. Isso faz parte da política. Mas, depois das decisões partidárias e das convenções, é importante buscar unidade em torno de um projeto maior. Não vejo razão para transformar uma divergência sobre composição de chapa em conflito pessoal. Meu interesse é dialogar. Uma eleição majoritária exige união, maturidade e capacidade de agregar. As portas devem permanecer abertas para todos que compartilhem o propósito de trabalhar por Brasília.
A chapa ainda não tem candidato ao Senado.
Quais são as opções?
Aqui eu teria mais cautela, porque envolve negociações partidárias que podem mudar rapidamente. Mas para o PSD, o primeiro nome é Paulo Octávio, uma vida dedicada a Brasília, a cidade ainda precisa da sua experiência, maturidade e capacidade de trabalho e o momento é esse. Só depende dele e da família. A segunda vaga, pode ser completada por um novo partido aliado que está sendo construído.
O eleitor pode esperar uma campanha centrada em propostas ou em críticas aos adversários?
Em propostas. Brasília tem problemas importantes demais para perdermos uma campanha inteira discutindo apenas pessoas ou o passado. Diante do enorme desafio que teremos em resgatar Brasília. É claro que haverá debate político e comparação entre modelos de governo. Isso é próprio da democracia. Mas acredito que o eleitor quer saber o que vamos fazer pela saúde, pela educação, pela segurança, pelo transporte, pela geração de empregos e pelo desenvolvimento das cidades. Nossa intenção é apresentar propostas objetivas, com metas e capacidade de execução. Quando houver crítica, que seja sobre decisões administrativas, resultados e projetos, nunca pela agressão pessoal. Quero participar de uma campanha que, ao final, permita ao eleitor comparar propostas e decidir qual projeto considera melhor para resgatar Brasília.

