Perícia do Instituto de Criminalística da PF descarta irregularidades em gravação da Pandora

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ANA MARIA CAMPOS
HELENA MADER
O Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal concluiu a perícia em equipamentos de gravação usados durante as investigações da Operação Caixa de Pandora. A defesa do ex-governador José Roberto Arruda questionava provas do processo, com o argumento de que o delator da operação, Durval Barbosa, teria usado equipamentos próprios, em vez de gravadores de propriedade da Polícia Federal.

O Correio teve acesso à íntegra do levantamento da PF. Os peritos oficias chegaram à conclusão de que Durval usou equipamentos da PF para fazer a gravação, que não ocorreu desligamento dos aparelhos durante a ação controlada da Polícia Federal e que não houve edições nos diálogos captados pelo gravador. A conclusão do levantamento afastou a tese de que o delator da Pandora teria usado gravadores próprios e não os cedidos pela Polícia Federal.

Em 2016, o Superior Tribunal de Justiça havia determinado a suspensão da tramitação de processos contra Arruda relacionados à Caixa de Pandora, até a conclusão da perícia solicitada pela defesa. Os advogados também pediam que fossem anuladas as decisões judiciais e provas produzidas no processo. Mas a Corte atendeu o pedido da defesa de Arruda apenas no que dizia respeito à perícia. Com a conclusão da análise técnica, o julgamento das ações contra José Roberto Arruda deve ser retomado.

“Despesa”
Em outubro de 2009, em uma ação controlada autorizada pela Justiça, Durval Barbosa usou dois equipamentos cedidos pela PF para gravar um encontro com Arruda e José Geraldo. Um deles era de áudio e vídeo, e o outro, só de áudio. Por problemas técnicos, o primeiro gravou apenas durante 49 minutos e, superaquecido, deixou de registrar informações. O segundo tem duas horas de áudios, inclusive as principais conversas que embasam as denúncias. O diálogo entre Arruda e José Geraldo é uma das principais peças das denúncias contra o ex-governador. Na conversa, Arruda, à época ainda governador, menciona “despesas com políticos”.

Para os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do DF, as conclusões desse laudo encerram os questionamentos a respeito da prova e abrem caminho para que as ações penais da Operação Caixa de Pandora possam ser julgadas.

Paulo Emílio Catta Preta, advogado de José Roberto Arruda, afirmou que ainda vai analisar a íntegra da perícia da Polícia Federal. “Agora, vamos entrar em uma discussão eminentemente técnica para avaliar como os peritos chegaram a essa conclusão. Os áudios tinham 1.452 descontinuidades, além de uma perda de cerca de 10 minutos. Inicialmente, os peritos haviam argumentado que esse problema ocorria por um mecanismo do próprio aparelho. Vamos questionar se há compatibilidade entre o equipamento e as descontinuidades identificadas”, explicou Paulo Emílio.
O ex-governador José Roberto Arruda afirma que “é no mínimo estranho que, nove anos depois, exatamente na véspera da eleição, um equipamento sumido reapareça como que por encanto”. Ele faz menção a declarações oficiais da Polícia Federal de que não seria possível localizar o aparelho exato usado na operação, em 2009. Posteriormente, a corporação conseguiu identificar e encontrar o gravador, entregue à perícia. “A PF disse reiteradas vezes nos autos que não tinha como localizar o aparelho, depois afirmou que havia identificado, e posteriormente declarou que o equipamento era diferente do inicialmente citado. É um processo cheio de estranhezas”.
Reprodução
Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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