Laerte Bessa: “Não se combate criminalidade com intervenção e sim com investigação”

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ANA MARIA CAMPOS

Embora seja um aliado do presidente Michel Temer, o deputado Laerte Bessa (PR/DF) não aplaude a intervenção federal decretada no Rio de Janeiro como medida para conter a onda de criminalidade no estado.

Diretor da Polícia Civil do DF por quase oito anos, Bessa acredita que o Exército Brasileiro não está preparado para impedir a atuação do crime organizado que tomou conta das instituições do Rio de Janeiro.

A saída, acredita Bessa, é outra: investimento na Polícia Judiciária, com estrutura para trabalhar e salários dignos e fim do saidões dos presídios em casos de bandidos perigosos. Um dos pontos fundamentais, segundo o delegado aposentado, é dar condições para o policiamento ostensivo e para a realização de complexas investigações que permitam a elucidação de crimes graves.

Na visão de Bessa, que é oposição e crítico do governo Rollemberg, a situação no Distrito Federal pode chegar à que vemos no Rio de Janeiro. O motivo é que a segurança pública da capital do país não tem oferecido, segundo o deputado, as condições necessárias para que os policiais possam trabalhar.

A intervenção federal vai resolver a onda de violência no Rio de Janeiro?
Infelizmente, não. O Exército Brasileiro não está preparado para essa missão.

Que medidas seriam necessárias para tirar do crime organizado o controle da segurança pública no estado?
Investir nas polícias do Rio de Janeiro, dando dignidade aos policiais com moradia (retirando polícias que moram nas zonas do crime organizado), salário digno, equipamentos à altura para o enfrentamento com os traficantes, comunicação social forte com objetivo de melhorar a divulgação do trabalho policial, aumentar o efetivo, qualificando os policiais tanto para o trabalho ostensivo, quanto investigativo com objetivo de aumentar as elucidações de crimes graves. Também é importante implantar uma corregedoria única, forte, para excluir os maus policiais e construir mais presídios para atender à atual demanda de delinquentes existente hoje no Estado, e acabar com a famigerada audiência de custódia, bem como acelerar a reforma da Lei Execuções Penais para acabar com os saidões e progressões de pena para bandidos de alta periculosidade. Além disso, investir em inteligência da polícia judiciária.

Como o Rio chegou a esse ponto?
Abandono total da segurança pública quando os policiais começaram a se corromper para sobreviver. Isso começou no governo Brizola que proibiu a polícia de subir nos morros para combater o tráfico. Alguns governantes preferem sucatear as polícias e, com isso, não permitem que grandes investigações avancem, seja contra o crime organizado, tráfico de armas ou até mesmo no desvio de dinheiro público. Precisou a Polícia Federal investigar para descobrirmos a roubalheira que se instalou no Rio de Janeiro.

Ha risco de o DF chegar a uma situação como essa?
Claro que sim. Com a atual gestão do governo, estamos caminhando para isso. O governador de Brasília está levando a segurança pública para o caos, com perseguição e revanchismo às instituições, não levando em conta que a maior prejudicada é a sociedade, Polícia Militar totalmente desmotivada, por falta de comando, Polícia Civil com as delegacias fechadas no período noturno e perseguida constantemente por este desqualificado governador. Quem ganha com isso? O crime organizado! Se você comparar, estamos passando pelos mesmos problemas: baixo efetivo, falta de equipamentos e viaturas, ausência de recomposição salarial, desmotivação e sucateamento das instalações policiais.

O governo diz que os índices de segurança no DF estão melhorando. Acredita?
Mentira. Esse governo é contumaz em mentir e de não cumprir compromissos. O Sinpol, toda semana, faz um levantamento das ocorrências registradas no DF e os resultados mostram que a criminalidade está muito acima dos números divulgados pela secretaria de Segurança Pública. E prova disso é o sentimento de insegurança que tomou conta da população de Brasília. Se você perguntar a qualquer morador do DF se a violência diminuiu, saberemos quem está falando a verdade e tenho certeza que não é o governador Rollemberg.

Acha que o presidente Temer liberará recursos para bancar o reajuste da PCDF?
Infelizmente não. Tentei convencê-lo a liberar recursos para os 14%. Ele considerou esse passivo (saldo do Fundo Constitucional) inexistente, uma artimanha do governo local para jogar os policiais contra o governo federal e salientou que liberou vários recursos com a finalidade de atender os policiais e que ele ignorou. Não podemos esquecer que o único culpado pela perda da paridade da Polícia Civil se chama Rodrigo Rollemberg. Se ele quisesse realmente dar o aumento, teria usado recursos do Fundo Constitucional, que serve justamente para isso, ou o valor de mais de R$ 1 bilhão provenientes da fusão dos fundos de Previdência.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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