Sérgio Lima/AFP
O governador Ibaneis Rocha (MDB) delegou ao secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, o encargo de pedir esclarecimentos ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre operações do Depen (Departamento Nacional do Sistema Penitenciário) e da Força Nacional de Segurança em relação ao líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola. Não é nada comum um secretário se dirigir diretamente a um ministro de Estado, especialmente num tema espinhoso, envolvendo ingerência política. Essa interlocução se dá entre o governador e o ministro. Mas Ibaneis não parece ter muito diálogo com Sergio Moro.
O embate entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública com o governo do DF sobre os procedimentos de vigilância do líder do PCC, Marcola, em Brasília, representa um risco para os moradores do DF. A permanência de um preso perigoso na penitenciária federal de segurança máxima é um fator preocupante pela possível instalação de organizações criminosas na capital do país. O PCC nunca conseguiu criar asas em Brasília. Mas a presença de Marcola sem um diálogo institucional claro entre governos local e federal pode ser explosiva.
O aparato de segurança em torno do transporte de Marcola para uma consulta no Hospital de Base na última terça-feira, sem um prévio comunicado à Secretaria de Segurança Pública do DF, foi o estopim para a crise com o Ministério da Justiça e Segurança, que ficou evidente no ofício enviado pelo secretário Anderson Torres ao gabinete de Sergio Moro. O tom foi claramente de contrariedade. “A segurança pública nas ruas e avenidas do Distrito Federal é nossa atribuição e, por essa razão, não se justifica esse ‘silêncio’ dos órgãos federais que, em última análise, pode ensejar um incidente extremamente grave caso haja uma situação de emergência que as polícias locais precisem agir”, afirmou o secretário no texto.
O PCC nunca conseguiu se instalar no Distrito Federal graças ao trabalho de investigação da Polícia Civil. Mas a presença de Marcola na cidade tem mudando esse cenário, segundo relato de especialistas em segurança. Advogados da facção criminosa que atuavam apenas no DF agora têm se especializado e criado conexões nacionais.
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