“Erra de novo ao distorcer os fatos”, diz presidente do sindicato dos delegados do DF sobre Rollemberg

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À QUEIMA-ROUPA // Rafael Sampaio

Presidente do Sindicato de Delegados da Polícia do DF

O ex-governador Rodrigo Rollemberg diz que o tempo é o senhor da razão e que agora é possível constatar que ele não falhou com a PCDF. Acredita nisso?
Em parte. Não dá para acreditar, depois de tudo o que aconteceu, que ele não falhou conosco. O ex-governador retirou a proposta que citou em 3 de agosto de 2016. A ata da segunda audiência judicial de conciliação no processo de greve mostra isso, não houve nova proposta, logo não houve qualquer demonstração de boa vontade conosco. Pelo contrário, houve maldades injustificáveis, como veto de aquisições pela Polícia Civil, como de viaturas, por exemplo, quando havia orçamento. Mas, concordo que o tempo é o senhor da razão e por essas e outras, pela falta de compromisso com a verdade, o povo brasiliense rejeitou Rollemberg nas urnas.

Pela proposta do governo Rollemberg, intermediada pelo Ministério Público e avalizada pela Justiça, os policiais civis do DF receberiam a última parcela da paridade agora. Por que isso não aconteceu?
Defendi o aceite dessa proposta, não por acreditar no ex-governador, mas no Judiciário. Contudo, as sucessivas quebras de acordos e as atitudes hostis do seu governo com a Polícia Civil retiraram toda a sua credibilidade e fui voto vencido. Posteriormente, Rollemberg retirou a proposta, demonstrando seu ânimo em relação à Polícia Civil.

Ele culpa os sindicatos pela “intransigência”. As entidades falharam?
Como disse, defendi a proposta, mas fui voto vencido. Creio que quem falhou foi Rollemberg ao não honrar com sua palavra. Erra de novo ao distorcer os fatos.

Se Rollemberg tivesse sido reeleito, conseguiria pagar essas parcelas durante a gestão do presidente Bolsonaro e com pandemia?
Claro que o GDF conseguiria. O Fundo Constitucional cresceu nominalmente mais do que o valor das parcelas. Mas, na reeleição, essa hipótese já não existia. Como dito, não havia mais proposta.

O governador Ibaneis Rocha advogou para o Sinpol, e Juliano Costa Couto, para o Sindepo. Isso influenciou a posição dos sindicatos na campanha de 2018 ao Buriti?
Não. Posicionamo-nos após conversarmos com todos os candidatos e por acreditar que Ibaneis tinha capacidade para executar boas propostas para segurança pública e para o Distrito Federal.

Há insatisfação na categoria?
Claro que sim. A paridade prometida não veio, continuamos com achatamento salarial, apesar dos esforços do governo atual. As circunstâncias inviabilizaram a implantação do reajuste e enfrentamos o deficit de um ciclo inteiro de reajuste. Mas, continuo acreditando que o governador Ibaneis reconhece essa situação e vai corrigi-la.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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