Em caso de suspeição de Moro, Lava-Jato pode afundar

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Coluna Eixo Capital/Por Ana Maria Campos

Procuradores da República avaliam que o maior rombo no casco da Lava-Jato pode sair do Supremo Tribunal Federal (STF) e não do Congresso. Se a 2ª Turma declarar a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no processo do tríplex, a operação poderá afundar. Será um precedente para outros réus questionarem a instrução de seus processos na 13ª Vara Criminal de Curitiba.

Absolvição no DF

Na Operação Vitória de Pirro, desdobramento da Lava-Jato que levou à condenação do ex-senador Gim Argello, o então juiz Sérgio Moro deu demonstrações de que não concordava com todas as acusações da força-tarefa de Curitiba. Na denúncia, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Valério Neves, Paulo Roxo e do filho do ex-parlamentar, Jorge Argello Júnior, mas Moro os absolveu por entender que não estavam envolvidos na trama. Gim, agora perdoado por indulto, foi acusado de receber dinheiro de empreiteiras contratadas pela Petrobras, em troca de apoio na CPI do Congresso que tratou do assunto.

Estratégia se repete

A tentativa de apontar suspeição de acusadores e juízes é uma estratégia que se repete. Na Operação Caixa de Pandora, advogados representaram ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra promotores e o juiz que tiveram um diálogo captado pelo gravador da sala de audiências do Tribunal de Justiça do DF. Eles conversavam sobre a pertinência da perícia no gravador usado por Durval Barbosa, sob monitoramento da Polícia Federal, para registrar conversas com integrantes do governo. Os casos foram arquivados pelos dois conselhos.

Apoio moral

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) promete acompanhar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a oitiva do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Silêncio

Algumas personalidades que poderiam, mas ainda não abriram a boca publicamente sobre o episódio do vazamento de conversas de chats provavelmente invadidos por hackers: o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão; o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que durante quatro anos atuou como coordenador da Lava-Jato nos processos do STF.

Agora, sim

O empresário José Humberto Pires finalmente aceitou o convite para assumir oficialmente a Secretaria de Governo na equipe do governador Ibaneis Rocha. O ato de nomeação deve ser publicado no Diário Oficial do DF nos próximos dias, numa reestruturação da Casa Civil, que será comandada pelo advogado Valdetário Andrade Monteiro.

Desculpa atrás de desculpa

Para o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, desde 1998, sempre se encontra um motivo para o Congresso não votar a reforma da Previdência. Então não será novidade se a crise de Moro levar a esse desfecho agora.

A pergunta que não quer calar….

Sérgio Moro ficou menor como ministro da Justiça e Segurança Pública do que era como juiz da Lava-Jato?

Só papos

“A crise é artificial, uma farsa, mas uma mentira repetida mil vezes pode se tornar uma verdade na mente dos brasileiros. Estamos enfrentando um tipo de campanha muito bem orquestrada”

Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador regional da República aposentado e ex-integrante da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, em entrevista ao Estadão

“As denúncias do The Intercept colocam em jogo a credibilidade não somente de Sérgio Moro, mas também de toda a Operação Lava-Jato. Todo material divulgado até agora reforça que a prisão de Lula é política”

Senador Humberto Costa (PT-PE), integrante da CCJ do Senado, onde o juiz Sérgio Moro vai falar sobre o conteúdo das conversas que manteve com procuradores da força-tarefa da Lava-Jato

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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