Chacina do DF vai a júri em abril. Pena pode ultrapassar 300 anos de prisão, segundo MP

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Um dos crimes mais impressionantes da história do Distrito Federal, a chacina de 10 pessoas de uma mesma família, em um condomínio no Itapoã, desvendada em janeiro de 2023, terá um possível desfecho neste começo de ano.

O Tribunal do Júri de Planaltina marcou a data do julgamento de executar a família, com a intenção de se apossar de uma chácara avaliada em cerca de R$ 2 milhões.

O juiz Taciano Vogado Rodrigues Júnior reservou sete dias, entre 13 e 19 de abril, para o julgamento.

Os promotores Daniel Bernoulli e Marcelo Leite ficarão responsáveis pela acusação. O júri havia sido marcado para começar em 23 de março, mas foi adiado por uma dificuldade com a escolta dos réus.

A denúncia, oferecida em 2 de fevereiro de 2023, é resultado do trabalho de uma força-tarefa organizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para atuar no caso.

Os promotores de Justiça sustentam que os réus cometeram mais de 100 crimes e, caso sejam condenados, a pena somada pode chegar a 385 anos de prisão.

Entenda o caso

As investigações demonstraram que Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa , Fabrício Silva Canhedo e Carlomam dos Santos Nogueirase se uniram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Também era parte do plano roubar valores em dinheiro da família de Marcos. Para isso, o plano inicial era matá-lo e sequestrar pessoas de sua família.

Segundo a denúncia, em 27 de dezembro de 2022, Gideon, Horácio e Carloman, acompanhados de um adolescente, foram à residência de Marcos, onde também estavam sua esposa, Renata Juliene Belchior, e sua filha, Gabriela Belchior de Oliveira. Marcos foi atingido por um tiro e as duas mulheres foram rendidas. Os criminosos roubaram a quantia aproximada de R$ 49,5 mil que estava no local e pertenceria a Marcos.

As três vítimas foram levadas para um cativeiro preparado na região do Vale do Sol, em Planaltina. No local, Marcos foi assassinado por Gideon e Horácio, conforme aponta o MPDFT.

Com a ajuda de Carloman e do adolescente, o corpo foi enterrado no mesmo terreno. As mulheres permaneceram no cativeiro.

Na manhã de 28 de dezembro de 2022, Fabrício assumiu a vigilância do cativeiro. O adolescente, por motivo desconhecido, fugiu do local. As vítimas foram ameaçadas para que fornecessem as senhas de seus celulares e de contas bancárias. Com isso, o grupo começou a se passar pelas vítimas e puderam monitorar os passos de Cláudia da Rocha Marques e Ana Beatriz Marques de Oliveira, respectivamente, ex-esposa e filha de Marcos. O objetivo era atraí-las para uma emboscada e roubar R$ 200 mil referentes à venda de um lote.

Entre os dias 2 e 4 de janeiro de 2023, Gideon, Horácio e Carloman foram à casa das duas. Elas foram rendidas, amarradas e levadas para o cativeiro onde já estavam Renata e Gabriela. As duas também foram ameaçadas para fornecer as senhas dos celulares e de contas bancárias.

O acesso aos telefones das duas mulheres levou o trio a acreditar que Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, filho de Marcos e Renata, poderia atrapalhar seus planos. Por esse motivo, decidiram matá-lo. Em 12 de janeiro, por meio dos celulares das vítimas, ele foi atraído à Chácara Quilombo. No local, Thiago foi rendido por Carloman e Carlos Henrique, enquanto Horácio fingia também ser vítima da abordagem. O homem foi levado ao cativeiro onde estavam as quatro mulheres.

Como havia feito antes, o grupo ameaçou Thiago para obter a senha de seu celular. Com acesso ao aparelho, começaram a fazer contato com Elizamar, esposa de Thiago, com a intenção de também matá-la. Eles atraíram a mulher, junto com os três filhos pequenos, à Chácara Quilombo. Quando chegou, ela e as crianças foram rendidas e amarradas. Os quatros foram levados a Cristalina (GO), onde foram estrangulados até a morte. Os corpos foram incinerados dentro do carro de Elizamar.

De volta ao cativeiro, Gideon, Horácio e Carloman decidiram matar as demais vítimas para garantir que os outros crimes não fossem descobertos. Em 14 de janeiro, Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram estranguladas até a morte e tiveram seus corpos queimados. Depois desse duplo assassinato, Fabrício aparentemente se desentendeu com Gideon, Horácio e Carloman e abandonou a empreitada.

No dia seguinte, Gideon determinou que os outros dois matassem Claudia, Ana Beatriz e Thiago. Os três foram levados a uma cisterna próxima ao cativeiro e executados a golpes de faca. Os corpos foram escondidos na cisterna. Fabrício e Horácio voltaram ao cativeiro e atearam fogo a objetos das vítimas com o objetivo de atrapalhar as investigações.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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