Um mês depois de a deputada distrital Sandra Faraj (SD) ter pedido “providências legais” contra um professor que tratou sobre temas como homofobia, pansexualismo e relações poliamorosas em sala de aula, o Centro Educacional 06 e a Diretoria Regional de Ceilândia responderam os questionamentos da parlamentar nesta terça-feira (19). Em ofício enviado ao gabinete de Faraj, o diretor da escola, Romero de Almeida Sousa, e o coordenador regional de ensino da Ceilândia, Marco Antônio de Sousa, afirmam que o trabalho aplicado por um professor de biologia do colégio tem embasamento legal. “O trabalho de pesquisa proposto, além de ter suporte legal, busca trazer à luz do conhecimento informações e saberes fundamentais à formação ética e social de nossos estudantes, principalmente no que tange à cidadania e aos direitos humanos”, justificaram os representantes da Secretaria de Educação. “O mundo clama por uma sociedade cada vez mais justa e igualitária. Em um país que tem a diversidade como base de sua formação, é inadmissível que ainda tenhamos tanta discriminação, seja ela por motivos religiosos, sociais ou econômicos”, diz o texto direcionado à parlamentar.
Veja a íntegra do documento:
V.Exa. Senhora Deputada Distrital Sandra Faraj,
Em resposta à solicitação de esclarecimentos e informações sobre a denúncia recebida por Vossa Excelência a respeito do trabalho proposto pelo Professor Deneir, enquadrando-se ao que preconiza a legislação brasileira e os documentos orientadores da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal e o Projeto Político-Pedagógico do Centro Educacional nº 06 de Ceilândia no que tange a respeito à condução pedagógica de temas referente à diversidade, esclarecemos:
1. O trabalho de pesquisa propostos pelo referido professor, além de ter suporte legal, busca trazer à luz do conhecimento informações e saberes fundamentais à formação ética e social de nossos estudantes, principalmente no que tange à cidadania e aos direitos humanos, guardando o devido respeito a nossa carta magna que reza, no Título I, Dos Princípios Fundamentais, no qual destacamos:
Art. 3º: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
2. A necessidade de se refletir e combater no âmbito da escola toda e qualquer forma de discriminação encontra sustentação em outros documentos legais e orientam a ação pedagógica, nos quais destacamos:
– A Constituição Federal de 1988, em seu art. 206, traz como princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.
– A Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, entre outros, também estabelece, em seu Art. 3º, seguintes princípios:
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância.
– A discussão sobre Cidadania em e para os Direitos Humanos, artigo 2°, que dispõe sobre as diretrizes do PNE, no inciso X, versa sobre a promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental.
– A Resolução nº 4, do Conselho Nacional de Educação (CNE), de 13 de julho de 2010, que define as Diretrizes Nacionais Curriculares para Educação Básica, no parágrafo 3°, artigo 43, capítulo 1, afirma:
§ 3º A missão da unidade escolar, o papel socioeducativo, artístico, cultural, ambiental, as questões de gênero, etnia e diversidade cultural que compõem as ações educativas, a organização e a gestão curricular são componentes integrantes do projeto político-pedagógico, devendo ser previstas as prioridades institucionais que a identificam, definindo o conjunto das ações educativas próprias das etapas da Educação Básica assumidas, de acordo com as especificidades que lhes correspondam, preservando a sua articulação sistêmica.
– A Recomendação nº 2/2013 – CEDF, que dispõe sobre o artigo 19, inciso VI, da resolução nº 1/2012 – CEDF que estabelece, como conteúdo dos componentes curriculares obrigatórios da educação básica, os direitos da mulher e outros assuntos com o recorte de gênero, nos currículos de ensino fundamental e médio.
– O Currículo da Secretaria de Educação do Distrito Federal (2014), traz como um dois seus eixos transversais, a temática da Diversidade. Com isso, objetiva que o estudante tenha acesso aos diferentes referenciais de leitura do mundo, com vivências diversificadas e a construção/reconstrução de saberes específicos de cada ciclo/etapa/ modalidade da educação básica.
“A SEEDF reestrutura seu currículo de Educação Básica partindo da definição de diversidade, com base na natureza das diferenças de gênero, de intelectualidade, de raça/etnia, de orientação sexual, de pertencimento, de personalidade, de cultura, de patrimônio, de classe social, diferenças motoras, sensoriais, enfim, a diversidade vista como possibilidade de adaptar-se e de sobreviver como espécie na sociedade. […] Existe, então, a compreensão de que fenômenos sociais, tais como: discriminação, racismo, sexismo, homofobia, transfobia, lesbofobia, valorização dos patrimônios material e imaterial e depreciação de pessoas que vivem no campo acarretam a exclusão de parcelas da população dos bancos escolares e geram uma massa populacional sem acesso a direitos básicos.” (SEEDF, p. 41, grifo nosso).
3. O trabalho conduzido pelo professor encontra respaldo também no Projeto Político-Pedagógico (PPP) desta Instituição de Ensino, sendo este um documento norteador das atividades desenvolvidas por toda a escola, legitimado pela Gestão Democrática e que assegura a autonomia da comunidade escolar. O PPP é um documento criado com a participação da comunidade escolar e apresenta todos os projetos e atividades pedagógicas de todas as disciplinas, de forma sistematizada e com cronograma de aplicação. Por ser um documento representativo e norteador da atividade pedagógica, o mesmo é embasado pelo Plano Distrital de Educação e o Plano Nacional de Educação, além do currículo em movimento e demais legislações pertinentes.
4. Outrossim, foi citado por Vossa Excelência que a Câmara Distrital e o Congresso Nacional Suprimiram todas as alusões e termos da redação às expressões “identidade de gênero” e “orientação sexual” da proposta original encaminhada pelos Poderes Executivos, mas convém lembrar que o Plano Distrital de Educação, no anexo 2 (Apresentação, Dados e Diagnóstico), inciso C, contempla o respeito às diversidades ética, cultural, sexual e de gênero.
Destarte, o trabalho pedagógico conduzido pelo Professor Deneir é importante para o desenvolvimento de nossos estudantes, pois o mundo clama por uma sociedade cada vez mais justa e igualitária. Em um país que tem a diversidade como base de sua formação, é inadmissível que ainda tenhamos tanta discriminação, seja ela por motivos religiosos, sociais, econômicos ou quaisquer outros.
Esclarecemos ainda que a proposta de trabalho buscou oferecer o conhecimento a respeito da temática, não apresentando em momento algum a super valorização, ou a doutrinação dos estudantes, mas o conhecimento e o respeito a esta diversidade. Temos a certeza da capacidade crítica dos alunos que jamais se deixariam ser influenciados apenas pelo conhecimento do assunto, exemplificamos nesta mesma linha de pensamento, o trabalho feito sobre drogas, violência, corrupção que nunca tiveram a intenção incentivar tais práticas.
O que destacamos é que não é possívelpensar a diversidade sem primeiro reconhecer a existência da exclusão, buscar permanentemente a reflexão a respeito dessa exclusão, repudiar toda e qualquer atitude preconceituosa e discriminatória, considerar e trabalhar e valorizar a diversidade presente no ambiente escolar, pelo viés da inclusão dessas parcelas alijadas do processo. Portanto, faz-se necessário pensar, criar e executar estratégias pedagógicas com base numa visão crítica sobre os diferentes grupos que constituem a história social, política, cultural e econômica brasileira.
Importante salientar ainda que diversas pessoas são agredidas e até morrem diariamente em função de preconceitos raciais e de gênero, e tudo isso em função de pré-conceitos criados tanto pela falta de conhecimento quanto pela intolerância, neste momento a escola tem como papel fundamental subsidiar, por meio do conhecimento, o desenvolvimento de uma sociedade onde todas as pessoas possam ser respeitadas independente de cor, raça, credo ou condição social.
Por fim, acreditando ser também o objetivo da nossa Câmara Legislativa o pluralismo de ideias, o espaço de debates e soluções, e a extinção de todos os tipos de violência, esperamos ter esclarecido as dúvidas e questionamentos apresentados.


21 thoughts on “Escola questionada por tratar de homofobia responde à deputada Sandra Faraj: “é inadmissível tanta discriminação””
Vishhhhh!! TOMA desavisada!!! Preconceituosa!!
Parabéns à Diretoria Regional de Ceilândia, pois respondeu a uma truculência religiosa, com polidez e zelo pela defesa dos direitos de todos, embasando tal resposta na Constituição, na LDB 9394/96 e outros documentos oficiais.
A postura da deputada é ridícula e inadmissível.
Quando Jesus disse para amarmos ao próximo, ele não estava diferenciando ninguém por gênero, classe ou religião. Significa respeitar a pessoa ao seu lado independente de quem seja, pois esse é o mandamento. Porém, respeitar não significa que temos que aceitar tudo o que os outros nos impõem. Homossexualidade é condenada nas Escrituras e isso ninguém pode nos obrigar a aceitar como se fosse algo normal.
Vergonhosa essa doutrinação nas escolas!
kkkk Q moral tem um político hoje em dia para questionar um assunto desses? kkk Tem bacanal maior que os legislativos Brasil afora???
Senhora Deputada. Não tem nada mais importante que a senhora possa fazer pela sociedade não? Faça um projeto de lei útil, abrace uma causa social justa , brigue por melhorias na saúde… tem tanta coisa de que a sociedade é carente. Eu também não concordo com o homossexualismo, embora respeite. Então, procure o que fazer.
Parabéns à Regional de Ceilândia… é com coragem, firmeza de ideias e conhecimento que se deve responder a condutas pseudo-moralistas.
Enquanto isso nas escolas particulares os alunos estão aprendendo Biologia de verdade.Estudei em escola publica e sei que o que realmente faz falta, na hora de fazer uma prova para instituições como UNB, ITA e outras. ESTE TIPO DE TRABALHO SÓ SERVE PARA CRIAR UMA NAÇÃO DE IGNORANTES. A educação de verdade acabaria com O Preconceito.
O problema desse tipo de discussão que as escolas querem empurrar goela abaixo das nossas crianças é que esses que se dizem ativistas da liberdade querem na verdade incentivar cada vez mais cedo essa prática doentia, parabéns à Deputada por tentar inibir esses “ensinamentos” que em nada acrescentam à formação saudável de nossas crianças.
Parabéns à Diretoria de Ceilândia pelo esclarecimento primoroso e didático. Pena que não seja seu papel esclarecer à nobre — ou talvez pobre (de ideias) — deputada que, ao contrário de certas “normas” nas quais a deputada se pauta, os Planos de Educação não tem caráter proibitivo expresso. Não foi vedada a abordagem dos assuntos que a ignorância e o sectarismo da classe política fundamentalista tentaram, em vão, suprimir da realidade concreta com jogos de palavras. O máximo que se conseguiu foi evitar que tais temas se tornassem obrigatórios, o que não quer dizer que sua abordagem seja impossível, muito menos infracional. Desde que o assunto esteja adequado ao nível de maturidade intelectual e emocional dos alunos e que não incite ato criminoso, vale o aprendizado e a reflexão. Ao contrário, o incomodo de uns poucos apenas reforça a necessidade de discussão do tema.
O jornalzinho esquerdoide não vai chamar o outro lado pra apresentar suas ideias? Cadê o pluralismo de ideias? Homossexualizar crianças do ensino fundamental agora é lutar contra o preconceito? É a censura correndo solta nesse jornaleco. Cadê meu comentário anterior? Daí vc vê o nível de debate com um jornal que teve sua redação dominada por feministas e gayzistas, debate zero, é a censura clara. Blz que dei print no comentário que esse jornal insiste em censurar
Valeu aí CB por ter cerceado minha opinião, isso mostra o quão a mídia de voces é tendenciosa.
Absurdo é depravação sexual ser ensinada em sala de aula!
Parabéns à diretoria da escola. Resposta concisa, com comprovações em trechos da lei. Sensacional mesmo!
Esses deputados mal sabem escrever, quem dirá ter conhecimento para questionar o que é ensinado nas escolas. A maioria dos que os elegem são ignorantes, que por sua vez, elegem iguais.
Desista deputada. Vivemos uma ditadura progressista, e qualquer posição contrária é tachada de preconceituosa, homofóbica e odiosa. O fio de esperança está no projeto de lei “Escola sem Partido”. Mesmo assim, acho difícil, pois a tática de tachar aqueles que pensam diferente de homofóbicos, intolerantes e machistas funcionou bem. Não acho que um país onde gays enfiam crucifixo no ânus e nada acontece seja intolerante (vide Irã, Russia, Coréia do Norte e outros), mas teremos que conviver com esse rótulo maldosamente colocado pelos que querem impor a ditadura das minorias. Resta aos que tiverem condições, colocar seus filhos numa escola cristã ou militar. Abraço e tolerância a todos (inclusive aos que pensam diferente da esquerda).
Concordo plenamente. Eu e todas as pessoas de bem.
Vocês só publicam o que é da ideologia de vocês, né. por que não publicam meu comentário, que se opõe ao discurso da esquerda? É ódio?
COMO DEPUTADA ELA DEVERIA TER CONSULTADO O ART. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL ANTES DE TER FEITO ESSES QUESTIONAMENTOS À ESCOLA TÁ NA CARA QUE ELA NÃO LÊ A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PARABÉNS A DIRETORA DA ESCOLA QUE ENSINOU O DEVER DE CASA À DEPUTADA.
Parabéns a Coordenação de Ensino e a Direção da Escola .. Um não ao FALSO MORALISMO reinante em nossa sociedade.
Depois ficam chorando porque não passam no Enem. Enquanto escolas particulares estão preocupadas em ensinar, uma boa parte de “educadores” vagabundos querem fazer reengenharia social.
Enquanto algumas escolas estão preocupadas a ensinar a fazer a prova do ENEM, algumas escolas continuam com o objetivo de formar cidadãos. Parabéns a escola, afinal quando chegam na Universidade o conhecimento “aprendido” não serve de muita coisa. Precisamos de pessoas pensantes e não que gravem o que se querem ensinar.