Indústria e setor de serviços dão sinais de esgotamento em sua capacidade de crescimento. O volume de serviços praticamente estável desde o fim do ano passado e a desaceleração do comércio varejista, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao crédito. Só o agro tem previsão de crescimento
Por SAMANTA SALLUM
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diminuiu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026. De acordo com o Informe Conjuntural do 3º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (28), a revisão para baixo do desempenho da economia se deve, principalmente, às perspectivas menos favoráveis para a indústria — em especial o segmento de transformação — e os serviços, cujos efeitos devem se sobrepor ao avanço da agropecuária e da indústria extrativa.
Os setores que estão mantendo ou aumentando a projeção de crescimento são segmentos que independem do que se chama de ciclo econômico. Não dependem muito da demanda interna e, portanto, não estão muito afetados pela política monetária. Esses são, especialmente, o setor extrativo mineral e a agropecuária.
“Por outro lado, os setores mais dependentes, mais sensíveis aos juros, que é o caso da indústria de transformação, do comércio e, em alguma medida, os serviços, têm um movimento contrário. Então, quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros”, completa Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.
A desaceleração da economia deve ser sentida de forma mais intensa pela indústria, cuja expectativa de crescimento foi alterada de 2% para 1,3%— a maior revisão negativa entre os setores. O resultado revela que nem mesmo a expansão da indústria extrativa, estimada em 9,1%, será capaz de compensar o enfraquecimento da indústria de transformação.
O volume do setor de serviços está praticamente estável desde o fim do ano passado e a desaceleração do comércio varejista, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao crédito,contribuíram para a revisão do PIB do setor, que passou de alta de 1,9% para avanço de 1,6%.
Entre os setores produtivos, a agropecuária foi a única a ter a projeção de crescimento revista para cima. Impulsionado pela revisão positiva da segunda safra de milho, o PIB do setor deve subir 2,5% e não mais 1,8%, conforme o cálculo anterior.
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