Coluna Capital S/A de 05 de outubro
Por SAMANTA SALLUM
Candidatos a distrital e a federal tinham conexão com o setor produtivo da capital federal e alguns foram bem-sucedidos nas urnas. Outros não conseguiram alcançar as votações necessárias para uma vaga. Entre os que fizeram campanha dando atenção aos segmentos empresariais, Izalci Lucas conseguiu se eleger deputado federal pelo PL, com 88 mil votos. Deixa o Senado, mas se mantém como representante do DF no Legislativo. E parte dos votos veio de eleitores do meio empresarial, por ter feito um mandato como senador próximo ao segmento. Atuou nos debates em defesa do setor, por exemplo, na reforma tributária.
Thiago Manzoni (PL) também conquistou, com mais de 90 mil votos, vaga a federal. Trabalhou, quando distrital, em consonância com demandas do setor produtivo, como na redução da cobrança do ITBI. Era dele a indicação de administração do SIA, Bruno Oliveira, que atendeu às demandas das entidades empresariais que têm sede na região, como CDL, Fibra, Asbraco, unidades da Fecomércio, além das empresas instaladas na área.
Na Câmara Legislativa, André Kubitischek, outro nome do PL, despontou com 23 mil votos, garantindo uma vaga. Antes, passou pela Secretaria de Juventude do GDF e defendeu a pauta do empreendedorismo como oportunidade de trabalho e renda para jovens. Neto de Juscelino Kubitischek, e filho de Paulo Octávio, presidente do Grupo de Lideranças Empresariais do DF, sempre participou ao lado do pai nas reuniões do Lide. Wellington Luiz (MDB), Eduardo Pedrosa (União Brasil) e Jaqueline Silva (MDB) também são distritais de bom trânsito no meio empresarial.
Relação de diálogo com a esquerda

No campo da esquerda, há distritais reeleitos que são bastante respeitados e têm próximo diálogo com o setor produtivo: Chico Vigilante (PT), que é presença constante nos eventos e debates das entidades. O mesmo ocorre com Max Maciel, do PSol, o campeão de votos na CLDF (91 mil), que até fez parte de comitiva, a convite da Fecomércio, a Medellín (Colômbia), para conhecer o projeto dos distritos criativos que mudaram o cenário de violência nas periferias da cidade.
Quem ficou de fora
Lideranças empresariais do DF disputaram vaga no Legislativo, mas não conseguiram o mandato. O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis (Sindicombustíveis), Paulo Tavares, no PDT, foi candidato a deputado federal.
Um nome que tinha grande torcida do setor produtivo local era o do ex-secretário de Governo do DF José Humberto Pires, que tem uma trajetória empresarial e foi candidato a federal pelo MDB. O grupo empresarial lamentou que ele não conseguiu uma vaga na bancada. Neto Rodrigues, presidente da AgenciAuto, que concorreu a distrital pelo Podemos, também não alcançou o número de votos necessários.
Apoio de lideranças do agro
A senadora eleita Bia Kicis (PL) recebeu apoio de lideranças do agro no DF. A influência no segmento se refletia já durante o governo de Ibaneis Rocha, quando foi dela a indicação para Secretaria de Agricultura. No entanto, os eleitores mais ligados à agricultura familiar têm conexão com os candidatos petistas Grass e Lula.
Joe Valle (PDT), referência empresarial do setor e ex-presidente da CLDF, não conseguiu retornar ao Legislativo local, depois de anos afastado de candidaturas. Ele apoia nomes de esquerda. Já a direção da Federação da Agricultura e Pecuária (Fape) não esconde a simpatia e apoia as candidaturas de Celina Leão (PP) e Flávio Bolsonaro (PL).
De olho no 2º turno

As principais entidades que representam o setor produtivo (Fecomércio, Fape, Faci, CDL, Fenatac e Fibra) realizaram sabatinas com os candidatos ao GDF no 1º turno. Acompanharam de perto a evolução dos candidatos e entregaram manifesto com as demandas de cada setor. No 2º turno, a movimentação deve se intensificar, para que tanto Celina Leão como Leandro Grass assumam compromissos para desenvolvimento econômico da capital federal.
Fecomércio parabeniza Celina e Grass
Após o resultado das urnas, na noite de ontem, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no DF emitiu um comunicado sobre a realização do 2º turno. “Parabenizo Celina Leão e Leandro Grass pela votação recebida e desejo aos dois candidatos uma campanha pautada pelo diálogo, pelo respeito e pela apresentação de propostas para o futuro de Brasília. Durante o Diálogos com o Setor Produtivo, tivemos a oportunidade de ouvir os candidatos e apresentar as principais demandas dos setores, que têm papel fundamental na geração de emprego e renda no Distrito Federal”, destacou o presidente da entidade, José Aparecido Freire.
Mobilidade urbana e ambiente de negócios
A entidade destacou que espera que no 2º turno seja possível aprofundar a discussão de temas importantes, como mobilidade, ambiente de negócios, apoio às micro e pequenas empresas, qualificação profissional, economia criativa e revitalização do Setor Comercial Sul, entre outros. “O Sistema Fecomércio-DF continuará aberto ao diálogo e à disposição para contribuir com propostas que estimulem o crescimento econômico. Após a decisão soberana dos eleitores, estaremos prontos para trabalhar em conjunto com o próximo governo e acompanhar a transformação dos compromissos apresentados durante a campanha em ações concretas para o Distrito Federal”, frisou a entidade.
BRB não prejudicou Celina
Os analistas do Instituto Opinião, que realizaram as pesquisas eleitorais para o Correio, avaliam que o escândalo do BRB não colou em Celina Leão, como queriam os adversários no 1º turno. O fato de Ibaneis Rocha ter se retirado do jogo eleitoral foi interpretado por eleitores como se ele tivesse assumido uma culpa, o que ajudou a deslocar o problema de Celina.
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