Por SAMANTA SALLUM
Em reunião no Palácio do Planalto, no início de setembro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, levantamento sobre o impacto negativo das bets sobre as famílias brasileiras. De janeiro de 2023 a março de 2026, os gastos chegaram a mais de R$ 700 bilhões. Somente no ano passado, foram R$ 320 bilhões. O avanço das apostas on-line e seus efeitos sobre o consumo, o endividamento das famílias e o impacto no comércio levaram a entidade a acompanhar, de forma mais aprofundada, o mercado de apostas a partir de relatos de empresários, especialmente de pequenos negócios, sobre mudanças no comportamento de consumidor.
Medida necessária
Depois da decisão de Lula de proibir as bets, a CNC afirmou que a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026 foi uma medida relevante para a proteção do orçamento das famílias e para a preservação da capacidade de consumo da população. Na reunião com Lula, a CNC, representada pelo vice-presidente financeiro da Confederação, defendeu medidas mais rigorosas de controle e fiscalização. O encontro reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil.
Restabelecimento do equilíbrio financeiro
“Embora a interrupção das operações dessas plataformas não seja suficiente, por si só, para recompor integralmente a capacidade de consumo da população, ainda pressionada pelo elevado patamar das taxas de juros, a contenção dessa atividade é uma medida necessária para mitigar o agravamento da inadimplência e contribuir para o restabelecimento do equilíbrio financeiro das famílias”, destacou, em nota à coluna Capital S/A.
Ação coletiva contra governo federal
As bets articulam reação à proibição no STF e no Congresso, que só vai discutir a MP de Lula após as eleições. Entidades que representam o setor das apostas on-line e advogados alegam insegurança jurídica, quebra de confiança e risco de migração para o mercado ilegal. Empresas e associações entraram com ação coletiva para mostrar ilegalidade da medida do governo federal. Manifesto do setor aponta que o mercado clandestino responde por 41% do volume apostado no país. Com a proibição, esse número chegaria a 100%. Há, hoje, 31 milhões de pessoas ativas nos sites, e o país perderia até R$ 73 bilhões em arrecadação entre 2027 e 2030.
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