mesclado

Disputa política agrava crise do BRB. Entidades do setor produtivo pedem que banco seja preservado de embate eleitoral

Publicado em Coluna Capital S/A

Governadora do DF reage a presidente Lula afirmado que ele “comete crime contra a ordem financeira” ao declarar que não vai ajudar Banco Regional de Brasília

Por SAMANTA SALLUM

Mesmo diante da forte declaração do presidente Lula (PT), de que o governo federal não vai ajudar o BRB, o GDF não considera a guerra perdida. E sinaliza que ainda há caminhos para garantir o empréstimo de R$ 6,6 bilhões. O Palácio do Buriti afirma que não está pedindo dinheiro ao governo federal. Apenas que este não atrapalhe a negociação com o Fundo Garantidor de Crédito que reúne bancos privados. A área técnica do governo do DF e do BRB sinalizavam que o entrave no andamento do empréstimo era político, pois já haviam cumprido todas as etapas e devidos procedimentos para a liberação do aporte financeiro pelo FGC.

Entidades do setor produtivo do DF reagiram às declarações de Lula com manifesto em defesa do BRB e que o processo de recuperação deve “fundar-se em critérios técnicos e de governança, de forma independente em relação a debates partidários ou calendários eleitorais.”

O que até então era uma impressão com informações de bastidores foi oficializada pelo presidente Lula durante comício na Ceilândia, na quarta-feira. Culpou a governadora do DF, Celina Leão (PP) e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) pela grave crise do BRB.

“O BRB comprou R$ 12 bilhões em títulos que não existiam. Eles quebraram o banco. E agora estão dizendo: ‘presidente se você não der dinheiro, não vamos pagar o Bolsa Família’. Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB”, afirmou Lula.

A governadora do DF reagiu com petição judicial contra as declarações.“Quando um presidente da República faz uma frase como essa, ele comete um crime contra o sistema financeiro, um crime contra o BRB, ele ataca uma instituição. Ele pode brigar comigo politicamente, para não votarem em mim, pode fazer campanha para o candidato dele, mas ele não pode, com uma ACO Ação Cível Originária aberta, falar que ele não vai ter uma ação em relação ao BRB”, afirmou hoje durante sabatina que participou na agenda de campanha, na CBN.

Manifesto de Cooperação

O Manifesto Institucional pela Cooperação e pelo Fortalecimento do Banco de Brasília (BRB), assinado pelo Sinduscon, Fecomércio, Ademi, Asbraco e Codese, documento destaca a impotância do “diálogo institucional e da cooperação harmoniosa em torno da instituição financeira e do desenvolvimento da capital do país.”

No texto, as instituições reconhecem que a recuperação da instituição demanda “rigor técnico e apuração responsável por parte das autoridades competentes perante eventuais irregularidades”. Da mesma forma, ressaltam a relevância da responsabilidade institucional na condução de alternativas que garantam a estabilidade do banco.

Investidores estrangeiros

O GDF vem sendo procurado por investidores estrangeiros interessados no BRB. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, reuniu-se, ontem, com investidores dos Emirados Árabes Unidos (EAU). A reunião, que teve duração rápida, no Palácio do Buriti, foi marcada por eles. Fonte do governo conta que está ouvindo as propostas para analisar. O governo local afirma que está trabalhando em outras frentes para conseguir capitalizar o BRB.

“Muita gente torcendo contra. O presidente Lula deveria ser presidente de todos os brasileiros; e não está sendo”, disse Celina, explicando que não poderia detalhar que outras soluções seriam viáveis para a capitalização do BRB.

Acompanhe a Capital S/A na TV Brasília às terças e às quintas-feiras, 18h30, no JL ao vivo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *