Redução de 0,25% na Selic, baixando a taxa para 14% ao ano, não foi considerada suficiente para tirar setor produtivo do sufoco
Por SAMANTA SALLUM
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) mais uma vez expressou insatisfação com a política monetária do país. Apesar de considerar acertada a decisão do Copom do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros, afirma que ela permanece alta. A entidade frisou que os juros “agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias”. Ricardo Alban, presidente da CNI, completou: “Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa em nível tão alto”.
Acima da Regra de Taylor
Os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. E a CNI aponta que a taxa está 3,6 pontos percentuais acima da calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação”, argumenta a CNI.
Indústria da construção: “Redução muito aquém do que o Brasil precisa”
Esta é a quarta queda consecutiva da taxa básica de juros. O movimento do BC é considerado importante para a economia, embora ainda insuficiente para estimular de forma mais consistente o crédito e os investimentos. “No entanto, ainda está muito aquém do que o Brasil precisa. O mercado imobiliário, em especial, sente fortemente os efeitos desse cenário. Para que essa política produza resultados mais consistentes, será necessário manter sucessivas reduções da Selic. O ideal é que a taxa alcance um patamar de um dígito, historicamente mais favorável ao financiamento”, conclui o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira.
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